O brilhantismo do Status Quo em duas caixas de fundamentais



É difícil medir o tamanho de uma banda clássica quando a concorrência que ela tinha era intensa. Corre-se o risco de supervaloriza-la ou subestimá-la com muita facilidade.

Os ingleses do Status Quo, por exemplo, a banda mais antiga em atividade ao lado de Rolling Stones e The Who, é considerada uma instituição no Reino Unido, enquanto que, nos Estados Unidos, não teve o devido reconhecimento.

É o mesmo caso dos conterrâneos do UFO, que ameaçaram ingressa no grupo seleto formado por Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Uriah Heep e Nazareth, mas não concretizaram o sonho. Qual é o tamanho das duas bandas?

Uma amostra do poder de fogo do boogie rock do Status Quo chega ao mercado com álbuns ao vivo essenciais e uma valiosa caixa com os mais relevantes álbuns d banda no início dos anos 70, um documento para lá de precioso.

 Quem pretende conhecer um pouco mais sobre seu trabalho vai se esbaldar com a edição expandida de  “Live”, de 1975 – LP duplo originalmente, agora uma edição com oito CDs com as gravações completas que deram origem ao álbum duplo;

O trabalho do Status Quo mergulha fundo no do boogie rock que os músicos  orgulhavam de ter criado deu lugar a um hard rock de primeira, movido pelas guitarras faiscantes e energéticas de Francis Rossi e Rick Parfitt, que também eram os dois vocalistas.

A edição deluxe do primeiro álbum ao vivo do Status Quo une o álbum original — que nunca foi um dos favoritos do líder da banda — com os shows completos e remixados dos quais foi criado.

“Live”! traz performances memoráveis de uma banda já veterana que decidiu carregar no peso naqueles tempos para se diferenciar diante de tanta coisa boa que surgia incessantemente.

A formação tinha os vocalistas/guitarristas Francis Rossi e Rick Parfitt, o baixista Alan Lancaster e o baterista John Coghlan (além do tecladista de longa data (e futuro membro em tempo integral) Andy Bown e do empresário de turnês Bob Young na gaita).

As gravações ocorreram durante três noites no Apollo em Glasgow, Escócia, no final de outubro de 1976. Os roqueiros boogie, em turnê para promover o nono álbum (e terceiro no topo das paradas do Reino Unido) “Blue for You” (1976), presentearam os fãs com versões de alguns de seus sucessos recentes, incluindo “Rain”, “Caroline” e “Roll Over Lay Down” além de uma versão longa da favorita dos fãs “Forty-Five Hundred Times” e até mesmo alguns covers de The Doors (“Roadhouse Blues”) e Chuck Berry (“Bye Bye Johnny”).

“Live!” combina uma remasterização do álbum original com os três shows em Glasgow (cada um com repertórios idênticos) – todos extraídos de faixas recém-descobertas dos shows.

Essas novas mixagens deram a Rossi (que ainda faz turnês com o Quo até hoje) deram a chance de ouvir o material com satisfação, e este novo repertório traz sua marca figurativa de aprovação.

“The Early Years Vol. 2 – 1970-1972” é uma suculenta caixa com alguns dos melhores trabalhos do Status Quo, em seu primeiro auge – o segundo foi em1976, com o ótimo discp “Blue For You”.

A caixa oferece, entre outras coisas, a chance de ouvir o material com uma rara versão mono do terceiro álbum, “Ma Kelly’s Greasy Spoon”, vários singles e lados B, faixas inéditas e versões alternativas, além de uma versão de “Roadhouse Blues”, do The Doors.

Em 23 de agosto de 2024, essa instituição do rock britânico, muito querida pelo público, realizou o que provavelmente foi seu último show.

Com uma carreira iniciada em 1962 e após várias mudanças de nome, a banda adotou o nome Status Quo em 1968. Ao assinarem com a gravadora Pye Records e lançarem o single de sucesso que os projetou, “Pictures of Matchstick Men”, Francis Rossi (guitarra e vocais), Rick Parfitt (guitarra e vocais), Alan Lancaster (baixo e vocais) e John Coghlan (bateria e percussão) apresentavam um som e um visual psicodélicos, em sintonia com a moda da época.

O Quo acabou encontrando sua identidade sonora característica um som e um visual boogie mais despojados, com seu terceiro álbum pela Pye, “Ma Kelly’s Greasy Spoon” (CD 1), lançado em 1970 (o CD 2 desta coleção traz a rara mixagem mono do álbum, lançada na Argentina sob o título “Everything”).

Abandonando as roupas da Carnaby Street — que já não estavam mais na moda — em favor de jeans e camisetas, a banda direcionou seu som e imagem para uma sonoridade mais próxima do “hard rock” e do rock progressivo, estilos então em voga no início dos anos 1970, como se reflete em seu quarto e último LP pela Pye, “Dog of Two Head” (CD 1), de 1971.

Durante esse período, o Quo lançou singles que não foram incluídos diretamente nos LPs correspondentes, incluindo faixas favoritas dos fãs e clássicos de seus shows, como “Down the Dustpipe”, “In My Chair”, “Gerdundula” e “Tune To The Music”, reunidas no CD 3; já o CD 4 traz versões alternativas de muitas dessas faixas fundamentais, incluindo “Mean Girl”, “Daughter” e “Something Going On in My Head”.

O Status Quo sempre foi, acima de tudo, uma banda de palco, onde seu *boogie* e *hard rock* realmente brilhavam — algo demonstrado no quinto CD desta coleção, que inclui sessões de gravação e faixas ao vivo.

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