Blues sofisticado é uma especialidade do guitarrista inglês Robin Trower. Nunca abriu mão de um estilo sólido e vigoroso muitas vezes comparado ao de Eric Clapton, só que mais puxado para o blues rock Não à toa foi considerado o maior rival do irlandês Rory Gallagher nos anos 70.
Sem perder a qualidade, lança regularmente ótimos álbuns neste século, como é o caso de “Shine”, que acaba de chegar às plataformas digitais. Rrepresenta o blues rock da melhor maneira possível dentro daquilo que se convencionou chamar de rock clássico. E ainda pode ostentar uma passagem brilhante pelo Procol Harum nos anos 70.
Bastasse a obra regula e autoral, sua obra mais relevante está sedo reeditada em edições ampliadas com material inédito e faixas raras ao vivo; é um material estupendo, que extrapola o simples interesse de fãs e colecionadores.
“Shine” sai pela gravadora Provogue / Artone Label Group. Agora aos 81 anos, com uma trajetória lendária que vai dos clubes da “Swinging London” e do Procol Harum, passando pelo álbum *Bridge of Sighs* (disco de ouro em 1974) até um catálogo solo vibrante neste novo milênio, o lugar desse veterano do blues entre os grandes nomes de todos os tempos é indiscutível.
No entanto, enquanto seus contemporâneos dos anos 60 há muito se acomodaram no piloto automático de coletâneas de sucessos, esse artista inquieto ainda começa cada manhã da mesma maneira: de pé em seu estúdio particular, com uma Stratocaster marcada por mil batalhas uma Stratocaster de assinatura, à caça da nota mágica que dará origem à sua próxima música. “Depois, acordo no meio da noite”, diz ele com um sorriso, “com um verso para a letra.”
Dando início às sessões em seu estúdio favorito, o Studio 91 em Newbury — e depois mudando-se para o novo estúdio do engenheiro de som Sam Winfield, o The Pines, para fazer os ajustes finais —, Trower imprime sua marca pessoal em um álbum novo, poderoso e intimista, onde solos de guitarra intensos conduzem canções que nos incentivam a encarar o mundo moderno de frente.
“Shine” faz jus ao nome: um álbum que cintila com possibilidades e vibra com a energia clássica de Trower. Assumindo a própria produção e tocando guitarra e baixo, o veterano sentiu-se confiante o suficiente para delegar funções importantes à sua fiel banda de estúdio: o baterista Chris Taggart conduzia o novo material, enquanto o vocalista de longa data, Richard Watts, expressava cada emoção.
Os riffs com pegada soul-funk do primeiro single, “Live Your Time”, fazem as válvulas do amplificador Marshall de Trower esquentarem. A discografia de Trower já se aproxima rapidamente da marca de 30 lançamentos (sem contar as colaborações com Jack Bruce, Bryan Ferry, Maxi Priest e outros). Só na última década, ele lançou nada menos que oito álbuns de estúdio.
Continuar insistindo ou desistir? A escolha de Robin Trower é óbvia — e “Shine” é a mais recente e empolgante prova de um compositor que prefere seguir em frente a acomodar-se sobre as glórias do passado.
Nõ dá para não destacar a nova participação da cantora americana Sari Schorr, uma veterana do blues que se encaixou perfeitamente ao estilo e timbres de Trower. Sua voz é um bálsamo para quem aprecia interpretações fortes e delicadas, em perfeito equilíbrio melódico.