Rod Stewart é a ‘cara’ do rock da nova extrema direita inglesa

A crise política no Reino Unido proporcionou uma vitória histórica do bolsonarismo” de lá, que em uma cara bem definida entre seus apoiadores: o cantor Rod Stewart. Aos 81 anos de idade, perdeu qualquer pudor e vergonha ao anunciar que “Nigel Farage, líder da extrema direita, merece uma chance de governar o país”.

Farage, de 62 anos, era um obscuro candidato a parlamentar na Câmara dos Comuns há 15 anos e tinha dificuldade de se eleger fora dos partidos maiores, o Conservador e o Trabalhista.

Ganhou os holofotes pela estridência e pelo extremismo dentro de uma excrescência chamada Parti do Brexit, que pregava a saída do Reino Unido da União Europeia, o que acabou acontecendo depois deum referendo em 2016. Virou estrela.

Mesmo assim, faltava-lhe uma base eleitoral mais sólida por conta da fragmentação política da extrema direita e uma cadeira no Parlamento, o que ele conseguiu em 2020 em um condado pequeno e sem importância. Ao mesmo tempo, ajudou a criar a partido ReformUk estimulando a fusão de pequenas forças políticas extremistas.

Aproveitabdo fragilidade política do primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer e a estagnação econômica, o ReformUK teve vitória expressiva nas recentes eleições municipais e regionais e frases e o rosto de Rod Stewart foram largamente usadas nas redes sociais durante a campanha, assim como entrevistas de Captain Sensible, vocalista da banda The Damned.

Os dois músicos romperam uma barreira de vergonha que muitas celebridades tinham medo de ultrapassar ao clara apoio a um político que se diz antissistema, anti-imigração e refratário a pautas identitárias e progressistas, além de francamente isolacionista – e fã do nefasto presidente norte-americano Donald Trump. Exatamente como o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, igualmente nefasto e atualmente preso por tentativa de golpe de Estado.

O sucesso do ReformUK, apesar e surpreendente e aind incipiente, está sendo considerado o resultado de extrema direita ais expressivo na Europa desde que esse campo atingiu o segundo turno de eleições presidenciais na França anos atrás e da vitória do húngaro Viktor Orbán, um vassalo do ditador russo Vladimir Putin, em 2009. 0

Orbám deixou o poder neste ano, mas a Hungria é um país pequeno dentro da União Europeia. A extrema direita avança na Polônia, na Alemanha, na França e agora, no Reino Unido. A Itália é governada pela primeira-ministra Georgia Meloni, uma extremista de direita envergonhada, mas não muito.

O mundo está ficando mais fascista e flertando cada vez mais com o ódio, com a perversidade e com a desumanidade. Rod Stewart, um astro do rock, apoiar esse estado de coisas e servir de “rosto” para a ideologia equivocada e asquerosa de Nigel Farage e seu ReformUK é um sinal perigoso de que até mesmo nações de primeiro mundo estão perto do abismo e prestes a abraçar o extremismo de cunho fascista.

A revelação do apoio de Stewart pode ser o fator que faltava para qu mais celebridades das artes e do rock anunciem sua adesão ao ReformUK, que surge como força perigosamente forte em eventuais eleições parlamentares nacionais nos próximos anos.

Por enquanto, os Trabalhistas ficam no poder mesmo que o primeiro-ministro Keir Starmer renuncie. Entretanto, não devemos nos surpreender – e deplorar – se mais músicos e rock apoiarem esse lixo extremista chamado ReformUK.

Para não esquecermos: Eric Clapton e Van Mprrison criticaram duramente a obrigatoriedade de vacinação contra a covid-19 e as medidas de isolamento e distanciamento social na época da pandemia; Roger Daltrey, vocalista de The Who, votou e apoiou o Brexit, a saída do reino Unido da União Europeia – para depois reclama que tudo ficou mais caro na Inglaterra, além do aumento imediato do scustos de se fazer turnês pela Europa…

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