Álbum ao vivo celebra o legado de Savoy Brown, instituição so blues inglês

Uma das formações do Savoy Brown (Foto: divulgação)

A banda de blues mais pura da Inglaterra. Foi assim que um jornal chamou a Savoy Brown na tentativa de diferenciá-la das concorrentes – Fleetwood Mac, Tem Years After, Free e até mesmo o Cream. O líder, o guitarrista Kim Simmonds, gostou, mas ficou preocupado: temia que que o rótulo “pegasse” e restringisse as oportunidades de shows.

O rótulo pegou e a banda se tornou uma das mais respeitadas do mundo, mesmo que o sucesso tenha ficado aquém do esperado. Foram 57 anos de atividades até que Simmonds morresse aos 75 anos em 2022. Dentro das celebrações do legado do grupo, o espólio abriu o baú e resgatou um show bem, legal que está disponibilizado agora nas plataformas digitais.

0”Eastward Bound – Live in New York ‘75” é uma apresentação que fez parte d turnê que comemorata os dez anos do Savoy Brown e percorreu todos os Estados Unidos. Kim Simmonds considerava aquele período um dos auges do conjunto, que já passara por inúmeras mudanças de formação, mas jamais abrira mão do blues como base de eu repertório. 

´É um show com coma performance vigorosa, intensa e com alguns clássicos do Savoy Brown, embora a duração seja vem curta. É uma excelente amostra do que era o grupo naquele momento.

Instituição nacional0

O blues britânico costuma ser reverenciado principalmente pelo surgimento do furacão Cream, que tinha o guitarrista Eric Clapton em seu esplendor.

Durou apenas dois anos e foi a mais esplendorosa bandas da chamada quina de ouro dos grupos de blues que encantaram a Europa no fim dos anos 60 – além de Cream, eram amados John Mayall & Bluesbrekers, Fleetwood mac, Ten Yeras After e Savoy Brown.

Delas, a menos aclamada e mais underground era a última. Savoy Brown foi criada há 60 anos e fazia a perfeita síntese do blues rock antes mesmo do estouro do Ten Years After, do ás d guitarra Alvin Lee (1944-2013). O líder era outro ás a guitarra, tão bom e incandescente quanto Lee: Kim Simmonds (1947-2922).

A história do Savoy Brown se confunde com a carreira de Simmonds, que esteve em todas as formações d banda desde que ea se profissionalizou. A importância dele era tão grande e gente do memo quilate, como Mick Taylor (John Mayall e Rolling Stones) e Peter Green (Fleetwood Mac, 1947-2020) considerarem sua guitarra como “sinônimo de blues” na Inglaterra.

O equilíbrio entre peso e melodia do Savoy Brown definiu o subgênero blues rock no Reino Unido, d mesma forma qe Ten Years After alcançava a mesma primazia. Alvin Lee era veloz e altamente técnico e Simmnds, puro feeling.

Guitarra vigorosa

Kim Simmonds sempre foi considerado um músico subestimado, ao mesmo tempo que tinha a fama de teimoso. Colocou na cabeça que faria blues até o fim da vida e que carregaria nas costas o sagrado nome Savoy Brown, a banda que simbolizou desde o inicio a fusão entre o blues e o rock de forma visceral.

Se não virou astro, atraiu o respeito e a reverência dos maiores, como Peter Green, Eric Clapton, Jimi Hendrix, Rory Gallagher e mais uma fila imensa de admiradores famosos.

Era um estilista, daqueles capazes de fazer solos memoráveis e de conduzir uma banda apenas com uma nota extraída de sua guitarra intensa e vigorosa.

Com o Savoy Brow traçou uma trajetória invejável de 57 anos de magia a ponto de ofuscar, em alguns momentos, os Bluesbreakers do venerável John Mayall, o criador do blues moderno inglês que morreu em 2023 aos 90 anos.

Simmonds sabia tocar pesado, mas preferia a intensidade e o suor, levando o blues ao seu limite. Jovem prodígio, mirava gente como Peter Green, do Fleetwood Mac, antes mesmo do surgimento desta banda. Eram garotos que chamavam a atenção pela habilidade e pelo feeling.

Dizem que foi cotado para substituir Eric Clapton na banda John Mayall, em 1966, posto que acabou nas mãos do “rival” Green. Ele nunca confirmou essa história. Com o seu Savoy Brown, criado em 1965, ele dizia que tinha tudo o que precisava para fazer o seu blues.

Enquanto Rolling Stones e Cream brilhavam ao lado de Jimi Hendrix, o Savoy Brown virava lenda no Underground londrino, em uma competição ferrenha pelos corações do puristas com o Fleetwood Mac.

Teimoso ou não, fazia questão de elevar o nome Savoy Brown em todas as circunstâncias. O sucesso quase veio nos anos 70, mas alguma coisa sempre barrava a ascensão. A sequência de álbuns bons foi avassaladora, mas as músicas não tocavam no rádio. Não eram comerciais e soavam “datadas”.

O guitarrista não se importou e continuou fazendo a música que amava e tornou o seu Savoy Brown uma banda das mais adoradas nos pubs britânicos e também da Bélgica, França, Holanda e Alemanha.

Há quem diga que a banda teve quase tantas formações diferentes quanto o brasileiro Made in Brazil. Isso nunca importou muito. Savoy Brown era um estado de espírito e Simmonds sempre fez questão de demonstrar isso.

Alguns de seus discos a partir dos anos 90 saíram apenas com o seu nome, ou então creditado a Kim Simmonds’ Savoy Brown. Para ele tanto fazia. Eram figuras indissociáveis e associadas ao melhor blues que se podia fazer e sentir.

O álbum mais recente do Savoy Brown é “Taking the Blues Back Home” de 2020, que é o início de uma série de álbuns que pretendiam homenagear o próprio blues a partir de canções inéditas e versões de clássicos do blues inglês. A morte de Simmonds carregou o Savoy Brown para a sepultura.

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