Se você quer a revolução, meu bem, então entre em um picape luxuosa, daquelas que gastam bastante combustível fóssil, e tente “mudar o mundo”… A paródia sarcástica é com a tradução da letra de “Revolution”, dos Beatles, que serve de trilha sonora de propaganda de carro nas TVs brasileiras há pelo menos um mês.
É canção icônica, de protesto, mas também de crítica aos revolucionários” que falam mais do que agem. Foi escrita por John Lennon em 19968, no auge do movimento hippie nos Estados Unidos e na Inglaterra.
É o triste retrato de um tempo em que o diálogo sumiu e o individualismo toma conta de vidas sem proposito. Pesquisas em rofusão na Europa e na América Latina mostram o avanço do desalento entre os jovens, que ligam cada vez menos para a perversidade e a desumanidade nos grandes centros urbanos.
No Brasil, cresce de forma preocupante o percentual de pessoas que associam a pobreza a algum tipo de preguiça, assim como cresce a intolerância a comportamentos tidos como “degenerados”, como homossexualismo e apoio a causas progressistas e de direitos humanos.
O rock continua bastante calado e acomodado com este estado de coisas, deixando para que o rap mantenha a liderança na área. Bruce Springsteen, Tom Morello (ex-Rage Against the Macuine), Serj Tankian (Sysytem of a Dawn) e mais uns poucos fazem protestos contra o governo do fascista Donald Trump nos Estados Unidos, mas são poucas as vozes que se levantam.
No Brasil, o comodismo é ainda mais gritante e evidente, com uma juventude anestesiada diante do caos institucional no governo do Estado do Rio de Janeiro, de escândalos bilionários envolvendo banqueiros e políticos corruptos, além de pré-candidatos a Presidência de famílias golpistas ou que pretenderam dar golpe de Estado.
A não ser por banda d rock e metal ou punks do underground, não se vê movimentação de artistas bradando e protestando, muito menos instando seus fãs a se posicionar diante de um contexto sociopolítico tão degradante e preocupante de retrocesso político e institucional em vária áreas.
Na era do comodismo, gritar “Fogo nos Racistas” (canção da banda mineira Black Pantera” e fica no sofá postando nas redes sociais é insuficiente. A vida é mais importante do que isso e os riscos de predomínio do conservadorismo fascista no mundo aumentam diariamente.
Enquanto isso, o projeto de submissão total das periferias e das minorais sociais continuam em prática. A letalidade policial aumenta exponencialmente e negros continuam sendo a maioria entre as vítimas de homicídio no país – morrem quatro vezes mais pretos do que brancos em “incidente violentos” no país.
Essa acomodação faz arte do projeto e continuamos aceitando passivamente. Continuaremos calados diante da depredação institucional? O rock se acovardará de novo diante do protagonismo do rap e do funk na mobilização contra o fascismo travestido de direita liberal no Brasil?