Os Beatles abandonaram os palcos há 60 anos, fato que marcou o início de seu fim

Era só mais um show ensurdecedor nos Estados Unidos, mas também era o último daquela acidentada turnê pela Ásia e pelos Estados Unido. Era só mais um show na América, menos para o guitarrista e vocalista John Lennon, que não via a hora de voltar para a casa.

Exausto e com a saúde mental abalada, instintivamente sabia que o show no Candlestick Park, em San Francisco, na Califòrnia, seria o último por muito tempo mal sabia Lennon que seria o último dos Beatles – era o dia 29 de julho de 1966, data marcante dos 60 anos da derradeira apresentação da melhor banda d rock de todos os tempos.

O show foi filmado e deveria ter se transformado em um home vídeo ou um filme para ser exibido em cinemas, mas o projeto foi engavetado por conta da morte do empresário da banda, Brian Epstein no ano seguinte, fato que acelerou o final dos Beatles, que ocorreria em abril de 1970.

Não foi uma apresentação digna de nota devido ao cansaço dos músicos, que tocaram de forma protocolar. Faltou energia e um pouco de carisma para que aquele show estivesse no hall dos melhores do grupo.

O baixista e vocalista Paul McCartney já não escondia a insatisfação em entrevistas no final de 1965 com as dificuldades que os Beatles tinham ao vivo, com a gritaria insana que os fãs faziam, impedindo-os de escutar uns aos outros, Reclamava também das péssimas condições técnicas dos estádios onde tocavam, o que os obrigava a limitar o tempo dos shows a 30 minutos.

Terminaram e foram para casa para nunca mais tocarem ao vivo juntos para uma plateia. Há quem considere que as cinco músicas que tocaram em 30 de janeiro de 1969, no terraço da empresa de eles, a Apple, em Londres, teria sido o verdadeiro último show, mas aquilo não passou de um ensaio aberto interrompido pela polícia.

Nunca houve uma decisão formal de não mais tocar ao vivo. Os quatro músicos simplesmente não tinham mais vontade de encarar turnês intermináveis pela Europa e Estados Unidos onde tocavam mal e não podiam exercer a sua criatividade.

O estúdio era o habitat deles, tanto que em seguida produziram clássicos como “Revolver” e “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dois dos melhores álbuns de rock de todos os tempos. Milionários e famosos, só queriam tranquilidade para compor e criar obras-primas.

Sempre houve debates se a ausência de show teve algum impacto severo na carreira do grupo a partir de 1966. Sem conclusão, coube a McCartney, em uma de suas biografias, comentar o assunto. “Estávamos focados em nosso trabalho no estúdio, que era excitante. Vtrio que estivemos mais produtivos e não sentimos falta dos palcos. Era libertador.”

Curiosamente, os Rolling Stones tomaram a mesma decisão, no mesmo ano, de se afastar dos palcos, ms de forma consciente e deliberada, mas com pelas mesmas razões. Exaustos, dedicaram-se ao estúdio com o mesmo ardor do Beatles, e só voltariam às turnês nos Estados Unidos no final de 1969.

Com a morte de Brian Epstein, o empresário, em 1967, McCartney tentou assumir a liderança total dos Beatles, com a resistência dos outros três integrantes. Na reunião que que praticamente definiu o fim dos Beatles, em setembro de 1969, McCartney tentou salvar tudo com novas ideias.

Antes de Lennon comunicar que estava saindo, o baixista imaginava gravar um disco de versões de clássicos do rock dos anos 50, como queria Lennon, além da organização de um show com transmissão mundial pela TV em Londres e, em seguida, uma turnê americana com 40 datas. Queria mostrar que os Beatles continuavam poderosos ao vivo.

Abalados pela decisão de Lennon, os Beatles seguraram a informação e mantiveram as aparências até 10 de abril de 1970, quando Paul McCartney lançou seu primeiro álbum solo, quando aproveitou para ele anunciou que estava saindo da banda e, consequentemente, o fim dela.

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