A escassez de álbuns relevantes em tempos perigosos e as lembranças de 40 anos atrás

'Cabeça Dinossuro', dos Titãs,

Tempos ´perigosos costumam exigir voragem d artista. Sobretudo dos engajados e que não hesitam em se expor. Dependendo do ponto de vista, estamos vivendo tempos perigosos e muita gente tem ido para a linha de frente combater e protestar contra a guinada destrutiva que a o mundo parece ter escolhido.

No entanto, parece que parte dos artistas mais importantes do Brasil deixou passar uma grane oportunidade com os tenebrosos tempos em que vivemos sob o jugo da extrema direita ignorante e criminosa – o os tempos bolsonaros foram o ponto mais baixo de 526 anos de Brasil – e também os mais perigosos em termos institucionais, ao lado da nojenta ditadura militar que vigorou entre 1964 e ‘985 por aqui.

Talvez seja cedo para analisar, mas as trevas do mundo perigoso representado pelo bolsonarismo não legou obras musicais extraordinárias e relevantes a ponto de marcarem a história da cultura nacional. É possível que a destruição da indústria fonográfica tenha contribuído fortemente para isso, mas ainda não dá para cravar essa alternativa.

O fato é que, no rock, no momento, não dá para dizer que o período a partir de 2016 com a queda da presidente Dilma Rousseff, do PTY, ou 2019, com o nefasto Jair Bolspnaro, hoje  no PL e preso por tentativa de golpe de Estado;

A analogia é amis do que válida com as lembranças dos instigantes preciosos e agitados meses de 1986, com o país ainda se acostumando com a volta de democracia e com um governo livre e autônomo, por mais que tenha sido eleito indiretamente.

Ainda eram tempos perigosos, com a democracia vacilante e ainda ameaçada por um medo de retrocesso por conta de setores conservadores da sociedade e da  área militar, inconformada com a volta dos civis ao poder.

O dilema de avançar para aproveitar o clima de liberdade depois de 21 anos de autoritarismo e o receio de que o monstro milirtaresco pudesse voltar produziu uma tensão necessária que deu origem a um ambiente fértil para a explosão da cultura.

Pela primeira vez o Brasil o jovem foi encarado com um potencial consumidor e teve as suas demandas olhadas por um mercado industrial mais atento às mudanças no país.

Com esse ovo mundo sendo desbravado, o jovem passou a ditar modas e comportamentos. E a cultura foi no embalo do entretenimento, com o surgimento de um novo e febril rock nacional e a existência de um evento global como o Rock in Rio.

‘Selvagem?’, dos Parlmas do Sucesso

Foi nesse contexto de perigo x esperança que pareceram os dois mais celebrados álbuns de rock lançados naquele período ou década, frequentadores assíduos de listas de melhores trabalhos já gravados na música brasileira – “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs, e “Selvagem?”, dos Paralamas do Sucesso.

A celebrada volta da democracia veio acompanhada de enorme desorganização econômica, corrupção política herdada da ditadura  a manutenção da estrutura de repressão policial e social – e, sim, a continuidade da censura oficial em todos os sentidos por pelo menos mais três anos.

Foi nesse ambiente de dúvidas e ansiedades que surgiu o furioso “Cabeça Dinossauro”, amparado pelo sentimento de revolta pela perseguição policial e repressão por conta do porte de quantidades mínimas de drogas, com o “sistema” passando o seguinte recado: aind estamos por aqui e podemos te pegar”.

Pesado, agressivo e irado “Cabeça Dinossauro”, com seu clima de punk e metal, é o álbum mais violento da música brasileira e precisa ser celebrado por isso. Quebrou paradigmas  barreiras e mostrou que o rock poderia expandir seus limites e, como manifestação artística, tocar em temas sensíveis e passar uma mensagem poderosa de conscientização política e social.

Por outro caminho, mas com a mesma contundência, Selvagem?”, dos Paralamas do Sucesso, conquistou corações e mentes com uma crítica social escancarada, algo não visto dessa forma dentro da música brasileira.

A liberdade recém-adquirida e a habilidade em escapar da censura oficial  ofereceu um panorama mágico para o trio se manifestar e tratar com maestria temas pesados como a miséria generalizada em áreas de favela e a desigualdade social, assim como a violência contra populações pobres e miseráveis no país.

É sempre arriscado apostar no tamanho da influência eu a efervescência cultural e euforia pelo fim do regime militar afetaram o ambiente para permitir e estimular o clima propício para aparecimento de obras muito importantes. Entretanto, certamente que o contexto ajudou na confecção dos dois álbuns e de outros bem, relevantes para a música nacional.

Pode ser que falemos daqui há alguns anos de discos fortes e relevantes daqui a alguns ano e Black Pantera e Plebe Rude, que foram no fígado pra registrar em música os tempos perigosos em que estamos vivendo, mas a sensação hoje é a de que não conseguimos perceber a mesma qualidade, contundência e importância das obras musicais como a que vimos 04 anos atrás.  

A sensação é qu desperdiçamos grandes oportunidades e as continuamos desperdiçando, principalmente no rock

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