Foi uma transição improvável e quase imperceptível para o grande público, mas o rock pesado teve certo protagonismo na virada dos anos 70 para os 90 do século passado, quando parecia que o gênero se esgotara por completo antes da explosão do chamado r
rock brasileiro 9BRock) com a Blitz em 1982.
A música brasileira da época, dominada por um samba sem ambição e um comodismo de autores que viriam a ser considerados os pilares da MPB, estava empacada e o rock dos ano 70 naufragava diante da perda progressiva de espaço nas rádios e nos palcos.
Made in Brazil e Patrulha do Espaço mergulhavam no ostracismo, enquanto o nomes do rock progressivo implodiam e o rock rural se aproximava cada vez mais da MPB, assim como Rita Lee dava a sua guinada ao pop. Era um cenário estranho.
As primeiras bandas punks paulistas começaram a aparecer por volta de 1977 sem saberem que eram punks, mas com energia e muita agressividade. A notoriedade veio em 1979, mas ainda sem estrondo, o que só ocorreria mesmo em 1982.
Entretanto, o punk, já disseminado pelas periferias das capitais estaduais, enfrentava a repressão da ditadura militar e certa indiferença do grande público. Mesmo assim, 1981 é o ano chave para o surgimento de nomes cruciais do rock brasileiro, como Ratos de Porão, Os Inocentes, Garotos Podres, Plebe Rude e, um pouquinho mais tarde, Cólera.
Com um discurso forte e contundente, a Plebe Rude é um caso curioso, já que está inserida em dois ambientes históricos. É uma banda punk, mas também está inserido no contexto do rock nacional-BRock, por mais que suas músicas soem mais agressivas e engajadas politicamente.
O heavy metal se desenvolveu em paralelo ao punk e colocou a música agressiva e pesada no radar antes mesmo da Blitz estourar. Stress, de Belém (PA), e Dorsal Atlântica, do Rio de Janeiro, já existiam em 1981 e habitabvam o mais profundo underground com aquela música de “loucos, pervertidos e degenerados”. A agressividade e a violência eram incipientes, mas apontavam o caminho diferente do punk e do pop rock ensolarado preconizado pelas bandas cariocas.
As duas bandas ajudaram no surgimento de uma rica cena em São Paulo, onde muitos artistas se juntaram naquilo que se convencionou chamar de onda metal paulistana. Foi quando a loja e gravadora Baratos & Afins lançou os dois volumes da coletânea “Sp Metal”, revelando nomes como Hatppia, Centúrias e Vírus.
O “novo rock nacional” surgia há 45 anos bem longe e antes de nomes como Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso e Titãs. Apareceu com muito peso, revolta e agressividade, mostrando que a vida e o próprio rock iam muito além da batata frita retratada pelo pop insosso e inofensivo de zona sul carioca da Blitz. Parte da juventude da época queria bem mais do que aquilo.