Rolling Stones relançam ‘Foreign Tongues’ com faixa adicional

A prática d reeditar discos recém-lançados co, músicas bônus para alguns mercados ainda persoite, por mais asquerosa e injusta que seja, já privilegia alguns públicos em detrimento de outros. Mas ainda faz sentido adotar essa prática neste século?

Esse tipo de resquício é coisa dos anos 60, quando as gravadoras americanas mutilavam e enxertavam singles em edições americanas como forma de rentabilizar os lançamentos. Isso “evoluiu” para a colocação de faixas diferentes, dependendo do mercado, até se alastrar nos anos 90 com as faixas bônus e CDs extras, principalmente no Japão.

Sob a alegação de que as gravadoras japonesas não conseguiam competir em preço com os CDs importados, elas exigiam material extra como “produto exclusivo” para seus consumidores, o que tornava o fã japonês um privilegiado – e fazia os produtos destinados aquele mercado, caríssimos. Cobiçados no resto do mundo.

De forma surpreendente e sem fazer m,uito sentido, os Rolling Stones relançaram o mais recente disco, “Foreign Tongues”, com uma faixa adicional.

“Bad Luck Hideaway” é uma balada country folk esquecível       que nada acrescenta ao conteúdo muito bom do álbum, que está redondo com suas 14 faixas – ok, a versão semiacústica do clássico roqueiro “Beautiful Delilah” também não faria falta.. Estranhamente, ainda não não está nas plataformas de streaming.

Foquemos então com as boas canções de “Foreign Tongues, que começa com “Rough And Twisted”, uma explosão amplificada de blues de Chicago impulsionada por um riff agressivo e sincopado de Keith Richards. Dada a história da banda de abrir álbuns com declarações definitivas, esta faixa é uma reafirmação esplêndida de seus princípios fundamentais.

O álbum segue para a mais pop “In The Stars” e depois para “Jealous Lover”, uma balada de andamento moderado que remete à sonoridade transatlântica da banda em meados dos anos 70 e revela a arma secreta do disco: Steve Winwood, uma adição carismática que eleva a música deles em baladas, faixas acústicas e rocks acelerados.

Para quem sentia falta da engenhosidade melódica que Nicky Hopkins trouxe à era de ouro dos Stones, Winwood é uma escolha inspirada.

Há outros convidados. Paul McCartney retorna em “Covered In You”, enquanto Robert Smith, do The Cure, aparece na faixa com gingado disco “Never Wanna Lose You” e adiciona uma sonoridade *jangle* tipicamente anos 90 a “Divine Intervention”. Mas o centro de gravidade continua sendo a própria banda.

Jagger, por sua vez, lança-se com entusiasmo à empreitada, seja como um Romeu rejeitado (“Jealous Lover”), um sedutor cheio de marra (“Mr Charm”) ou um observador cínico (“Divine Intervention”).

Uma interpretação vibrante de “You Know I’m No Good”, de Amy Winehouse, ganha vida através da gaita expressiva e vívida de Jagger. Ele claramente está se divertindo muito – mas, mesmo aqui, o clima do momento acaba transparecendo.

 Se Mick Jagger lidera a frente, Richards traz os riffs e a atmosfera, enquanto Ron Wood assume grande parte do trabalho pesado; sua execução é discreta, porém profundamente emotiva, destacando-se especialmente na épica “Back In Your Life”.

“Foreign Tongues” encerra com Jagger e Richards juntos em uma versão delicada de “Beautiful Delilah”, de Chuck Berry.

O momento remete ao final de “Hackney Diamonds”, mas não é menos comovente: um lembrete da continuidade das coisas. Para uma banda que sobreviveu à morte, aos impostos e a muito mais, deixamo-los olhando firmemente para o futuro, mesmo enquanto revisitam as influências duradouras de sua juventude.

A melhor canção, no entanto, é a pouco fala “Side Effects”, uma pancada moderna com guitarra insinuantes e flamejantes que não fariam feio em “Tattoo You”, de 1981. É a música perfeita para capturar a atenção de um público mais jovem disposto a dançar e também apreciar um bom riff ou um bom refrão.

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