A importância dos sintetizadores,. a ‘inteligência artificial’ do século XX

~Sintetizadores não servem para nada e a música for ruim. A sentença foi dada alguns minutos depois da pergunta, depois que o tecladista inglês Rick Wakeman deu as primeiras garfadas no lotado prato de comida cheio de carne em uma churrascaria paulistana.

Mais preocupado em e fartar nas variedades de cortes de carne, ele parecia não ter prestado a atenção na pergunta sobre a importância dos sintetizadores em seu trabalho solo. A resposta surpreendeu, mas nem tanto, já que Wakeman, ex-Yes, é maestro e tem sólida formação erudita, além de mante de jazz e pop.

A resposta do músico inglês parece perfeita em um momento em que muita gente relembra o surgimento destes instrumentos musicais que simulavam sons dde orquestras inteiras e mesmo de bandas inteiras – e que tanto fez a cabeça de músicos notáveis, como Pete Townshend, guitarrista de The Who, e Keith Emerson, o grande tecladista de Emerson, Lake and Palmer.

Em algum momento, os sintetizadores foram a inteligência artificial da música, expandindo as possibilidades artísticas e criativas, além de facilitar e baratear o trabalho. Tornaram-se os brinquedos preferidos de artistas nos estúdios. É impossível pensar, hoje, no álbum “Who’s Next”, do Whop, de 1971, sem os sintetizadores amados de Pete Townshend – largamente usados no trabalho anterior, “Tommy”, de 1969.

Keith Emerson se aparelhou com farta aparelhagem eletrônica nos anos 70, mas os sintetizadores era a sua base, assim como a de Rick Wakeman, no Yes. Sem esses teclados sintetizados não haveria a disco music, o funk americano perderia seu brilho e tecladistas como o francês Jean Michel Jarre e o grego Vangelis seriam apenas tecladistas.

Assim coimo a inteligência artificial hoje, os sintetizadores foram acusados de destruir mercados e profissões – como o cinema em relação ao rádio, como a TV em relação ao cinema, como a TV a cabo em relação à TV normal, como a internet em relação a tudo….

“Os sintetizadores representaram, de forma involuntária, uma vingança do mundo pop contra as orquestras inglesas”, comentou John Lodge, dos Moddy Blues, em entrevista para um documentário. “Ressentidos como sucesso de artistas pop, músicos de orquestras começaram a cobrar cada vez mais caro para tocar e fazer arranjos para canções dde rock. Eles sempre se acharam melhores do que nós – de fato eram, mas quem fazia sucesso e ganhava dinheiro éramos nós.”

É fato qye as orquestras sofreram bastante, mas o mundo se acomodou com a novidade tecnológica até que ela se torna-se tãso corriqueira e presente que mesmo maestros e músicos eruditos aderiram nos processos de nsaios e composição.

Os sintetizadores deixaram de ser brinquedinhos e ocuparam espaço relevante sem necessariamente ter acabado com o qu quer que seja nestes 60 anos de uso contínuo na música pop.

Seriam os Beatles os precursores dos sintetizadores? Parte dos historiadores da música pop acreditam que sim, principalmente a partir das experiências e inovações de estúdio nos álbuns “Rebber Soul” (1965) e “Revolver” (1966).

“Tomorrow Never Knows”, a canção que fecha Revolver”m é o primeiro exemplar de rock progressivo da história, cheia arranjos de origem eletrônica e invencionices extras, com largo uso de órgãos e novidades em termos de teclados, além de recursos aplicados no processamento d vozes.

“Revolution 9”, a colagem sonora de John Lennon incluída no “Álbum Branco”, de 1968, é uma peça progressiva que pode ser associada ao uso de recursos eletrônicos que já eram encontrados nos primeiros sintetizadores.

Deixando de ser um brinquedo exótico, o sintetizador passou d curiosidade tecnológica a ferramenta essencial para músicos solitários nos palcos e nos bares. Comum laptop básico ou celular com boa procedência, aplicativos simular o instrumento e fornecem o equipamento necessário para o acompanhamento em sessões ds mais diversas.

Em interessante texto publicado no site da rádio paulistana 89 FM, p sintetizador aparece como peça fundamental para a sonoridade pop e rock pós-punk dos anos 90, principalmente com o surgimento da new wave.

A popularização de sintetizadores mais compactos e acessíveis, como o Yamaha DX7, o Roland Juno-60 e o Sequential Prophet-5, permitiu que músicos incorporassem novos timbres sem depender de equipamentos enormes e caros, como os antigos Moog. Ao mesmo tempo, o avanço da tecnologia digital tornou esses instrumentos mais versáteis e presentes tanto nos estúdios quanto nos palcos.

Essa transformação coincidiu com a ascensão da MTV, lançada em 1981. Como os videoclipes passaram a ter um papel fundamental na divulgação dos artistas, muitas bandas começaram a investir em uma estética mais moderna, acompanhada por uma sonoridade igualmente contemporânea.

Os sintetizadores ajudavam a criar músicas com refrões marcantes, texturas envolventes e uma identidade que dialogava com a explosão da new wave e do synth-pop, sem que o rock perdesse sua força.

Entre as bandas que melhor aproveitaram essa mudança estava o Van Halen, como bem lembra o texto da 89 FM. Em 1984, o grupo surpreendeu parte do público ao lançar “Jump”, construída sobre um riff de sintetizador criado por Eddie Van Halen.

Apesar da resistência inicial de alguns integrantes, a música se tornou o maior sucesso da carreira da banda e mostrou que teclados e guitarras podiam coexistir perfeitamente dentro do hard rock. Outro exemplo marcante foi o Journey.

Embora os teclados já estivessem presentes em trabalhos anteriores, músicas como “Separate Ways (Worlds Apart)” e “Faithfully” reforçaram o papel dos sintetizadores na construção de atmosferas grandiosas, características do rock de arena que dominava a década.

O Rush também abraçou essa transformação. A partir de álbuns como Signals (1982), Grace Under Pressure (1984) e Power Windows (1985), os sintetizadores passaram a ocupar um espaço tão importante quanto as guitarras de Alex Lifeson. A mudança dividiu parte dos fãs mais antigos, mas permitiu que a banda explorasse novas possibilidades musicais sem abandonar sua identidade.

No rock alternativo, o impacto foi igualmente significativo. O The Cure incorporou sintetizadores de forma cada vez mais presente em discos como The Head on the Door, Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me e Disintegration, criando paisagens sonoras que ajudaram a definir o rock gótico e o dream pop.

O New Order, formado após o fim do Joy Division, levou essa mistura ainda mais longe ao unir guitarras, sintetizadores e batidas eletrônicas em sucessos como “Blue Monday”, uma das músicas mais influentes dos anos 1980. Bandas como Depeche Mode, Simple Minds, A-ha, Tears for Fears, Duran Duran e Eurythmics.

Compartilhe...