A imagem é forte, mas resume bem o que aconteceu nos anos 60, quando os ingleses tomaram de assalto o rock: imagine em 1964, no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, um grupo português de samba descendo do avião e fazendo o maior sucesso, levando fãs brasileiros à loucura.
Foi exatamente isso o que aconteceu naquele ano quando os Beatles desembarcaram em Nova York e mudaram o rock para sempre. A Inglaterra se tornou o polo mundial da cultura mundial em todos os sentidos, mas principalmente na música pop. As bandas britânicas se tonaram as mais inventivas, as melhores e as mais criativas.
Foram necessários 20 anos para que os americanos dessem o troco e virassem o jogos voltassem a dominar o ambiente e ditar os rumos do mercado, especialmente na área do hard rock californiano, que s transformou em uma mina de dinheiro a partir de 1083.
Era um mercado fonográfico dominado por Dire Straits, Van Halen, Michael Jackson, Madonna e muitos outros artistas pop, para não falar em artistas que explodiram como som pesado, como Quiet Riot, Twisted Sister, MNotley Crue, Ratt, Cinderella, Winger, Dokken… Os americano voltavam a dominar o mundo.
O impacto do outro lado do oceano Atlântico foi o pior possível e tivemos um efeito nocivo: gigantes ingleses decidiram copiar o som ultraprocessado e saturado americano, em uma situação que desagradou a muitos fã tradicionais. Não deu nada certo e o mundo deu uma grande derrapagem.
O Iron Maiden tinha optado por um caminho diferente ao colocar guitarras sintetizadas processadas por timbres computadorizados em “Somewhere in Time”, de 1986, mas Judas Priest e Saxon escolheram trilhar o caminho das bandas da Califórnia, com um som muito saturado e produção com excessos de todos os tipos – curiosamente, implantada inicialmente por Robert “Mutt” Lange nos álbuns do inglês Def Leppard.
Quase todo o rock pesado britânico aderiu, de alguma forma, ao modo californiano a partir de 1984, mas foi mesmo dois anos depois que tal situação ficou escancarada dois anos depois principalmente pela “capitulação” dos maiores gigantes britânico – Judas Priest, Saxon e Def Leppard.
As mudanças começaram com “Innocence Is No Excuse”, do Saxon, em 1985, mas o som ficou muito mais americanizado no seguinte em “Rock the Nations”, que mantinha alguma características da banda, embora os novos elementos novos quase transformaram o axon em outro grupo.
É um álbum diferente, um pouco estranho, mas que contém uma música maravilhosa, “Northrn Ladys”, uma das canções mais políticas da banda, como pedia o tom que dava as cartas no contexto da época. Aparentemente, as mudanças foram aceitas, mas o clima azedou em, “Destiny”, de 1988, em que o Saxon abraçou o hard rock puxado pela versão de “Ride Like the Wind”, clássico pop de Chridtopher Cross. Voltou ao metal depois disso.
O Judas Priest foi ainda mais radical em “Turbo”, de 1986, assustando todo mundo; A bateria ficou ultraprocessada e as guitarras chapadas deram outro aspecto ao som tradicional do metal britânico. Agradou a poucos e ainda causou estranheza por conta de arranjos alheios ao rock da época.
Em, entrevistas dadas à época, o guitarrista Glenn Tipton defendeu a opção: “Tudo evolui e estamos experimentando novos sons. Acreditamos que a modernidade passa por uma etapa de criação em estúdio na busca de sonoridades que podem surpreender.”
E realmente surpreendeu, mas não agradou. “Ram It Down”, o álbum de 1099, manteve resquícios de “Turbo”, mas a aparência de artificialidade nos timbres de guitarra e a bateria chapada e seca continuaram alvos de fortes críticas. A “normalidade” só voltaria em “Painkiller”, de 1991, um LP pesadíssimo que marcava a volta ao heavy metal tradicional.
No caso d Def Leppard, o hard rock tomou conta do som nos álbuns “Pyromania” e “Hysteria”, com as produções se tornando referência para o gênero A banda se deu bem neste esquema, estabelecendo um padrão de produção no hard rock que perdura até hoje. A promessa de sucesso rápido com o som da moda contaminou até os alemães.
Os Scorpions flertaram com a americanização e o Accept entrou em crise que culminou com a sápida do vocalista Udo Dirkschneider. O álbum “Face the Heat”, de 1989, com o vocalista David Reecce, mais hard do que heavy, foi o qye menos vendeu na carreira da banda.
Por mais que os resultados tenham ficado abaixo do esperado e as queixas de fãs tenham sido grandes, ingleses e alemães não deram o braço a torcer e insistem que, ao copiar há 40 anos o som americanizado da Califórnia deram um passo à frente. Tanto não deram que mais tarde abandonaram a opção e voltaram ao som tradicional.