AL9, uma banda brasileira com a alma dos primórdios dos Beatles

Uma banda fora de moda, com integrantes vestidos como se fossem o Kiss das máscaras e os Mutantes dos anos 70. O som? É como se os Beatles de 1963 tivessem ressurgido, em uma recriação tão fiel quanto os detalhes revividos pelo Greta Van Fleet e Jaylr em relação ao Led Zeppelin.

A Banda AL9 é liderada por uma dupla de irmãos brasileiros e está chamando a atenção da imprensa internacional com seu retrô-cópia do que os Beatles e outras bandas incipientes faziam nos anos 60.

Mateus Khouri (guitarra e vocais) e Thiago Khouri (baixo e vocais) acabam de lançar o terceiro disco, “Hey Hey, We’re AL9” e nunca esconderam as influência e as intenções: recriar aquele ambiente festivo e estimulante do início da beatlemania, tendo como referência “With the Beatles”, o segundo álbum da banda de Liverpool – de acordo com a discografia britânica.

Tudo foi meticulosamente pensado para emular aquela época dourada que abtecedeu a “Swinging London” e estabeleceu as bases para o sucesso gigantesco dos Beatles. Das harmonias vocais perfeitas ao timbre de guitarra, parece que logo ouviremos “All My Loving” ou “Please Please Me”. É o caso da emblemática “She Call Me Love”, que recria todo esse contexto. Não deixa d ser esquisito, mas a competência dos músicos é notável.

Completada por Caio Pimentel (bateria) e Guilherme Felippi (guitarra), a banda surgiu em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, e teve de ralar muito em bares e festinhas locais antes de viralizar na internet.

Receberam elogios de Geoff Emerick, que foi engenheiro de som dos Beatles e uma série de festejos de estrangeiros nos primeiros singles. Gravaram em português antes de perceber que tinham um público internacional interessado. A mudança de idioma foi inevitável.

Os irmãos Khouri aplicaram bem o aprendizado fanático do mundo musical dos Beatles, principalmente com a boa difusão da guitarra alegre e ensolarado — que soa muito parecido, ou melhor, quase exatamente como os Beatles na fase em que Paul McCartney assumia o comando e eliminava qualquer traço de ironia ou melancolia do resultado final.

As músicas são gloriosamente inocentes, tratando principalmente de garotas e de se apaixonar por elas, apresentadas com aquele tipo de harmonia vocal cerrada que só irmãos parecem conseguir produzir.

O acompanhamento musical é simples e direto: o som cristalino das guitarras de seis e doze cordas ressoa com clareza, a seção rítmica impulsiona as canções com suavidade e é basicamente isso — exceto por ocasionais palmas e o uso de cravo.

Se canções sinceras e doces como “She Got the Love” ou “She Can Do It All”, ou faixas de ritmo contagiante como “California” ou “Morning Star”, ou ainda a balada romântica e envolvente “The Best Night of Our Lives”, não arrancarem um sorriso ou fizerem você bater o pé no ritmo, então talvez você seja uma pessoa cínica.

E tudo bem; nem sempre estamos no clima para músicas que parecem ter sido feitas para uma sequência de “The Wonders: O Sonho Não Acabou” (“That Thing You Do!”), na qual dois irmãos brasileiros vão para os Estados Unidos, vestem roupas combinando e tocam uma música tão nostálgica que chega a dar dor nos dentes.

 Legal é que não e trata d uma banda cover, ou seja, de versões. São canções inéditas e autorais, mas totalmente calcadas na primeira fase dos Beatles, recriando fielmente o estilo da époica, Se, por um lado, as canções são atorais, por outro a cópia fiel ao estilo do início dos anos 60 pode representar uma amarra criativa para a busca de uma verdadeira identidade sonora algo qu uma hora será necessário optar. Será um dilema e tanto para uma banda talentosa e interessante. Há o risco de ficar rotulada para sempre como uma banda quase cover.

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