Na recente passagem por São Paulo, o baterista inglês Carl Palmer fez questão d recriar nos mínimos detalhes o som do seu Emerson, Lake and Palmer, ainda qu seja impossível reviver os maravilhosos timbres de teclado de Keith Emerson (1944-2016) e a voz aveludada de Greg Lake (19047-2016).=
Em uma rápida entrevista antes do show paulista, o músico de 78 anos comentou a falta que faz uma banda como essa nos dias de hoje e que ao vivo o som do trio era explosivo e grandioso. “Tínhamos noção do nosso poder dde fogo e como era possível ocupar todos os espaços dentro de um ambiente de show.”
Isso fica provado no mais recente lançamento do espólio da banda, que acabou oficialmente em 2010 – embora estivesse parada mesmo desde 1998. “Works Live” é uma nova versão de um álbum duplo d mesmo nome que chegou ao mercado em 1978 com algumas peças estendidas do clássico repertório de Emerson, Lake and Palmer.
Quando o trio concebeu a ideia de lançar um álbum ao vivo no final dos anos 70, a intenção era criar — no verdadeiro estilo do rock progressivo — uma obra grandiosa, em formato de LP duplo.
No entanto, a dissolução da banda em 1979 levou a Atlantic Records a reduzir a visão original do grupo para um álbum simples, intitulado “In Concert”.
Ao ser relançado em 1993, o álbum foi restaurado em toda a sua glória de disco duplo, incluindo grande parte do material anteriormente omitido.
Intitulado “Works Live”, o álbum estava mais alinhado com a visão da banda, e essa visão foi finalmente concretizada com esta versão atualizada da BMG.
Com uma apresentação gráfica aprimorada, novos textos informativos e um som mais nítido, esta edição eleva o álbum ao seu devido lugar como um lançamento fundamental na discografia do ELP.
A turnê que deu origem a “In Concert”/”Works Live” exemplificava os motivos pelos quais grande parte da grande mídia ridicularizava o rock progressivo.
A decisão da banda de contratar uma orquestra de 70 músicos para algumas apresentações era a antítese absoluta da estética minimalista então vigente no punk.
No entanto, além de quase levar o ELP à falência, a iniciativa provou ser acertada; as faixas com a participação da orquestra elevam o disco acima de qualquer outro álbum ao vivo, independentemente do gênero (e, considerando a forte concorrência, isso não é pouca coisa).
Com quase 90 minutos de duração, “Works Live” reproduz o tempo de um show real do ELP, e o fluxo da obra reflete isso: “Introductory Fanfare” prepara o terreno, e é possível sentir a expectativa e a empolgação emanando das caixas de som enquanto um locutor prepara o ouvinte para o início do espetáculo; quando a banda entra ao som de “Peter Gunn”, a energia atinge um nível máximo.
Lançada como single de 7 polegadas (acompanhada de “Knife-Edge”), “Peter Gunn” mostra o ELP com uma sonoridade vigorosa, imprimindo sua própria marca à execução — como deve ser feito com qualquer cover — e impondo sua presença.
Embora seja uma das três faixas do álbum não gravadas em Montreal, ela foi registrada durante a mesma turnê e encaixa-se perfeitamente no repertório. “Works Live” soa como uma coletânea de grandes sucessos, mas com a energia extra de uma apresentação ao vivo.