Uma geração cansada, que se cansou antes do tempo do mercado de entretenimento e que éma para recuperar a inspiração. Parece que foi ontem que ouvíamos a banda americana The Strojes como uma grande novidade, mas j´pa faz 25 anos que a banda está na ativa fazendo supostamente um indie rock – só que não, pois sempre teve um suporte das gravadoras que sobraram.
O novo disco da banda amicana, “Reality Awaits”, sofre dos mesmos males que afligem os trabalhos mais recentes de grupos como Arctic Monkeys, Arcade Fire, ser Chiefs, Muse, Snow Patrol, Interpol e de outros que tentaram se contrapor aos onipresentes Radiohead e Coldplay: uma falta de ousadia e inspiração que fizeram com que chamassem a atenção nos anos 2000.
Não se trata de uma geração perdida, mas de total exaustão criativa de artistas que com grande potencial. Só que pararam no tempo – fossilizaram-se como rock clássico antes do tempo.
O novo trabalho dos Strokes transborda indolência, dando a impressão que faltou algum esforço a mais para compor canções que não soassem remakes do que eles já fizeram há mais de duas décadas. Tudo soa desidratado e muito parecido com os três primeiros discos.
Aparentemente, o prestígio da banda está em alta. Sua turnê recente — a primeira da banda em 20 anos — incendiou um público multigeracional formado por “jovens-velhos” e “velhos-jovens”.
O status da banda não se baseia apenas na nostalgia: embora o último álbum do Strokes, “The New Abnormal” (2020), tenha ficado um tanto ofuscado pelo desânimo da era da Covid, seu grande sucesso, “The Adults Are Talking”, acumula no Spotify tantas reproduções quanto “Last Nite”.
Calista Julian Casablancas, um esquerdista engajado e ativo, tem coisas a dizer sobre a situação do mundo e, embora seus comentários nem sempre sejam totalmente coerentes, isso pouco importa quando vêm embalados na sonoridade característica e de alto nível do Strokes.
Em “Going Shopping”, o baterista Fab Moretti mantém um ritmo saltitante e preciso, enquanto os guitarristas Nick Valensi e Albert Hammond Jr. desenvolvem uma interação engenhosa que remete à banda Television — porém em escala reduzida —, e Casablancas dispara críticas políticas como “A solidariedade pode ser difícil quando se tem coisas legais a perder” e “Estamos construindo castelos com os ossos de árvores mortas”.
O personagem da música quer deixar a cidade e fugir para o campo, mas acaba ficando entediado e retorna. É praticamente o que se esperaria que o cara de “Meet Me in the Bathroom” cantasse ao chegar ao final dos quarenta anos — e, apesar de (e talvez por causa de) confissões que deixam a gente coçando a cabeça, como “quero ser uma estrela-do-mar de dois metros de altura”, a música funciona.
“Going to Babble On” é outra pérola: Julian implora e faz bico reclamando da velocidade da vida moderna sobre a sonoridade *neo-New Wave* que essa banda executa tão bem quanto qualquer outra na história da humanidade, culminando em um solo de guitarra espiralado e cheio de energia, digno do auge dos anos 80.
“Lonely in the Future”, que abre com um *riff* de hard rock cru e sujo, é uma crítica — vinda de um “cara descolado” que já viu de tudo — à geração atual totalmente conectada.