As aventuras do Rainbow na Alemanha são relançadas depois de 50 anos

A banda Rainbow, de Ritchie Blackmore, é uma banda alemã. A afirmação sarcástica é do vocalista americano Ronnie James Dio, que reclamava da insistência do guitarrista inglês, o líder, de vasear os trabalhos em Munique, na Alemanha, ou em Berlim.

A paixão alemã de Blackmore ultrapassava o fanatismo, a ponto de os principais discos ao vivo do Rainbow e alguns do Deep Purple terem sido registrados no país. Claro que os integrantes da bandainglesa, recheada de ingleses e americanos, não suportavam esse fanatismo, mas o que fazer?

Um pouco desse fanatismo está sendo objetivo de resgate neste ano de áudios de apresentações do Rainbow no nício do grupo, em1976. É uma espécie de continuidade das celebrações do cinquentenário do álbum “Rising”, considerado o verdadeiro primeiro trabalho do conjunto.

O nome original era Ritchie Blackmore’s Rainbow. O guitarrista inglês saiu do Deep Purple nop começo de 1075, desgostoso com os rumos musicais impostos pelos vocalistas David Coverdale e Glenn Hughes. Imediatamente correu para iniciar a carreira solo e recrutou a banda ELF para apoiá-lo, liderada por Dio e apadrinhada pelo baixista Roger Glover, então ex-Deep Purple e futuro Rainbow.

O primeiro álbum surgiu logo e foi um ensaio para as pancadas que viriam com Rising” e embasariam as as apresentações alemãs de 1976. A banda, no entanto, já era oura. Só restara Dio do ELF e chegariam o baterista Cozy Powell, o tecladista Tony Carey e o baixista Jimmy Bain, uma formação extraordinária. É esse time que estrelou os show relançados de Dusseldorf, Colônia e Munique.

Ante d continuar, por que Blackmore é apaixonado pela Alemanha? Saindo da adolescência, o guitarrista arrumou trabalho como músico integrante de uma banda inglesa em turbnê pela Alemanha e Holanda.

Ficou pelo continente e praticamente se casou com uma alemã. O breve relacionamento gerou um filho, Jurgen R. Blackmore, também guitarrista, hoje com 60 anos de idade.

Desde então Blackmore não deixa de manifestar seu amor pela Alemanha, onde excursionava até pouco tempo castelos com seu projeto Blackmore’s Night.]

Templos germânicos

Dusseldorf é um show ao vivo incrível da turnê mundial de estreia do Rainbow, registrando uma das primeiras apresentações da banda na Europa, realizada na Philipshalle de Düsseldorf em 27 de setembro de 1976.

Quando o Rainbow finalmente chegou à Europa para seus primeiros shows no continente, a banda já havia emplacado os álbuns “Ritchie Blackmore’s Rainbow” e “Rainbow Rising” nas paradas de sucesso; consequentemente, apresentavam-se em locais com ingressos esgotados

Este show, gravado durante a turnê em 1976, em Düsseldorf (Alemanha), traz o Rainbow e clássicos absolutos do rock, como “Stargazer” e “Man on the Silver Mountain”.

Até então, este álbum ao vivo estava disponível apenas em edições em CD lançadas há 20 anos — seja como um álbum individual ou como parte do box set de 6 CDs *Deutschland Tournee 1976* (lançado exclusivamente no Japão). Agora, quase 50 anos após o show original, a gravação faz sua estreia em vinil, com áudio remasterizado por Andy Pearce e Matt Wortham.

O show em Colônia tem uma atmosfera um pouco diferente. Gravado ao vivo em Colônia em 1976, este lançamento de edição especial é exclusivo para o RSD (Record Store Day) de 2026 e captura tanto o Rainbow quanto a banda em seu auge criativo e de energia avassaladora.

O álbum foi lançado originalmente há alguns anos como um de três CDs duplos e, mais recentemente, como parte de “Temple Of The King”, também da gravadora Demon. Esta é a sua primeira edição em vinil — e ficou maravilhosa.

“Kill The King” abre o disco; a faixa já fazia parte do repertório quando Carey entrou para a banda, mas, curiosamente, só apareceu em um álbum de estúdio em 1978.

Aqui, os teclados estão em destaque na mixagem, combinando bem com a guitarra — algo para se apreciar, já que, na versão de estúdio, os teclados estavam mais baixos e a guitarra contava com overdubs.

É uma música de alta energia e um clássico instantâneo. Também no lado 1, há uma versão de quinze minutos de “Mistreated”, do Deep Purple (do álbum  “Burn”, de 1974), com muita improvisação: introdução com solo de guitarra, bastante exploração instrumental livre, exercícios vocais de Dio e uma interação entre Dio e Blackmore (embora mais lúdica do que a interação entre Gillan e Blackmore em “Made In Japan”).

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