A banda que inventou o rock progressivo. Essa é uma primazia, mais uma dos Beatles, segundo muitos historiadores, que celebram os 60 anos do álbum “Revolver”, encerrado com a maravilhosa e totalmente estranha canção Tomorrow Never Knows”.
A aura inovadora sobre o grupo também sempre foi reforçada com o fato de os Beatles terem criado o primeiro álbum conceitual, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, e a primeira canção heavy metal, “Helter Skelter”, do álbum “The Beatles” (álbum branco).
Com algumas variações de detalhes, os livros sobre a história dos Beatles contam que os membros da banda estavam fascinados pelas então inúmeras possibilidades de criação sonora em estúdIo desde o final do ano de 1965. Viciados em tecnologia e cada vez maios criativos, partiram paras agravações daquele que até então seria seu melhor trabalho até então, “Revolver”, lançado no segundo semestre de 1966.
Uma das últimas canções a ser trabalhada foi “Tomorrow Never Knows”, que encerra “Revolver”, inicialmente intitulada “The Void”. O guitarrista e vocalista John Lennon ficou uma semana insistindo com o produtor George Martin a convocação d mil monges tibetanos para um coral (!!!!) Irritado, foi convencido a aceitar a realização de experimentos em estúdio para simular o tal coral. Quer coisa mais progressiva do que isso?
O som de “Revolver” era diferente de tudo o que tinha sido feito no mundo da música, seja pela nitidez, pela qualidade da captação e pelas invenções que o grupo implantou dentro de estúdio, e “Tomorrow Never Knows” era o melhor exemplo desse novo mundo do rock.
Os arranjos que simula, em segundo plano, foram obtidos por meio de experimentos com fitas de rolo, com registros ao ao contrário, por exemplo. Guitarras e baixo foram processados em filtros e compressores que criaram um ambiente claustrofóbico, sufocante e angustiante.
Marcou uma mudança radical para a sonoridade da banda (que causou estranheza aos fãs da banda num primeiro momento) e passou a explorar todo potencial da gravação em estúdio, sem nenhuma preocupação de reproduzir o resultado em concertos.
Muitos dos efeitos e truques de estúdio utilizados nela eram até então inéditos pra época. O uso de loops com fitas de áudio, levantando manualmente a cabeça de apagamento e gravando faixas umas por cima da outra, foi encorajada por McCartney.
A fita também podia ter a velocidade aumentada e diminuída. Cada membro da banda gravou seus próprios loops, fornecendo por volta de 30 no total e coube ao produtor George Martin selecionar 16 loops com 6 segundos cada para uso na canção. Os Beatles venciam mais uma vez.
Enquanto os Beatles avançavam, o resto do pop e do rock tateava o rock psicofdélico, que iniciava a era hippie e do “flower power”. O Pink Floys, o Move e o Moody Blues engatinhavam na busca de sons engenhosos e novos conceitos. A atuação é incomparável.
Em recente entrevista, Paul McCartney admitiu que o quarteto estava imerso nas imensas possibilidades de estúdio e que a canção foi a gênese do que viria a seguir = “Sgt. Peppers” e “Magical Mystery Toir”, além do “Álbum Branco”.