A banda mais inglesa de todas, tão inglesa que os americanos não a entendiam, seja na questão temática, seja na sonoridade pop característica de músicos com uma bagagem musical incomum. Sem estourar nos Estados Unidos, The Kinks ficaram para trás na concorrência com Beatles, Rolling Stones, The Who e Animals, mas ainda assim se tornou uma instituição britânica.
Liderada pelos irmãos guitarristas Ray e Dave Davies, The Kinks pareciam ser os rivais naturais dos Beatles no começo da beatlemania, especialmente depois do estrondoso sucesso de “You really Got Me”, mas não abriram mão de seu “conceito estilístico” e das letras caprichadas de Ray Davies, considerado um dos gtandes cronistas do modo de vida britânico em todos os temos.
Um pelo panorama do que foram os Kinks, que terminaram de forma definitiva em 1996 após nova briga entre os irmãos, pode ser apreciada na série The Journey”!, que serve de trilha sonora do documentário sobre o quarteto lançado há alguns anos.
A repercussão foi tão grande que os dois volumes esgotaram as peças físicas e bateram recordes de audiência em plataformas de streaming. Como uma volta da banda parece improvável, mesmo com os irmãos fazendo as pazes, resta então aproveitar o sucesso das coletâneas e anunciar o lançamento de uma terceira parte.
“The Journey Part 3“ tem lançamento previsto para 11 de julho pela BMG. A gravadora diz que o lançamento faz parte das celebrações dos 60 anos do grupo, o que parece ser um erro colossal, já que a banda surgiu em 1962 em Londres, e seu maior sucesso, “You Really Got Me”, é de 1964.
Com ‘The Journey – Part 1’ tinha o conteúdo mais suculento, com os principais hits da banda nos anos 60 – como “You Really Got Me”, “Waterloo Sunset” e “All Day And All Of The Night”). Era a fase de afirmação e de apresentação das credenciais de grupo de primeiro escalão que podia concorrer com os Beatles e Rolling Stones.
‘The Journey – Part 2’ mostra a banda mais refinada e especializada nas crônicas inglesas, com canções mais sofisticadas, como “Lola”, “Sunny Afternoon” e “Everybody’s A Star (Starmaker)”), que definiram melhor o som da banda no final dos anos 60 após um rápido flerte com omovimento mod.
A terceira parte vai mostrar o período de 1977 a 1984, quando a banda estava vinculada à gravadora RCA/Arista. Depois de ver os principais concorrentes explodirem, Th Kinks entro na década de 70 como uma banda cult, quase underground. No final da década, experimentou um relativo sucesso na América do Norte com músicas mais complexas, como “Celluloud Heroes”.
Ray Davies já era um dos mais importantes compositores do rock e aproveitava para ousar
O primeiro disco é composto por 11 faixas clássicas e sucessos da época, remasterizados a partir das fitas master originais de um quarto de polegada, incluindo “Come Dancing”, “Destroyer”, “Living On A Thin Line” e muito mais.
O segundo disco terá gravações inéditas, entre elas trechos de um show no Royal Albert Hall em 11 de julho de 1993, incluindo interpretações formidáveis de “You Really Got Me”, “Till The End of the Day” e “Sunny Afternoon”.
Em recente entrevista a sites britânicos, Ray Davies comentou que esse lançamento encerra a trilogia de celebração dos 60 anos da banda.
A formação clássica, dos anos 60, tinha o baterista Mick Avory, que chegou a tocar com os Rolling Stones, e o baixista Pete Quaifffe, saiu no começo dos 70. Nesta década, a banda adotou o sistema que os Stones optaram anos depois, com uma banda de apoio com músicos flutuantes e apenas os fundadores comomembros oficiais.
Com uma penca de hits e performances explosivas nos palcos, The Kinks atravessou os anos 60 como uma potência e os 70 como bela lembrança do passado, mas sem a mesma relevância, em processo semelhante ao dos Beach Boys.
Assim como a banda californiana, os Kinks viviam de lampejos de sucesso com músicas então inéditas até que recuperaram o prestígio a partir de 1978. Mantiveram o pique, mas nada que se comparasse ao que viveram na década de 1960.
Como artista solo, Dave Davies tem uma carreira discretíssima. Já Ray é uma potência como compositor e acaba de relançar as duas partes de sua imponente obra “Americana”, que foram celebradas como amostrar de sua genialidade como músico.