Quando o guitarrista Keith Richards terminou a mixagem da música “Sleep Tonight”, no final do primeiro semestre de 1986, não conseguia medir o tamanho do alívio. A canção era uma homenagem ao pianista Ian Stwart, amigo epeça fundamental no equilíbrio das relações internas dos Rolling Stones, que morrera no ano anterior. A canção era o retrato que dominava o ambiente na banda naquele tempo
Eram, as gravações de “Dirty Work’”, o álbum que quase acabou com os Rolling Stones há 40 anos. Richards e o vocalista Mick Jagger estavam no auge de uma briga generalizada e quase não se falavam. Divergiam em tudo e disputavam cada centímetro de espaço. O resultado é o segundo pior disco da banda, atrás somente de “Undercvover”, d três anos antes.
“Sleep Tonight” é uma balada triste que sintetiza o luto por Stewart, que integrou os Stones nos primórdios – foi retirado pelo empresário Andrew Loog-Oldham por ser mais “velho e feio – e também a melancolia que que a falta de entendimento causava. A banda corria risco sério de acabar. Richards não via a hor de ir embora para casa.
O tumulto começou exatamente na assinatura do contrato para a gravação de cinco álbuns com a Virgin Records em 1983. Houve divergências quanto a valores e as discussões entre Richards e Jagger começaram. “Ubdercover” foi um disco apressado e precipitado, com canções fracas e pouco interesse nas gravações.
E não ajudou em nada o fato de a banda descobrir que Jagger havia assinado m contrato secreto milionário para começar uma carreira solo paralela. O guitarrista ameaçou sair da banda e não continuar as gravações. Foi dissuadido e voltou ao trabalho mesmo ficando meses sem troar palavras com o cantor.
Diante da crise e da recusa dovocalista em sair em turnê com a banda, Richards avisou a todos que estava saindo ao final dos trabalhos em estúdio. “Undrcover” foi mal nas paradas e o guitarrista estudava como faia o anúncio de que estava fora, mas novamente fora dissuadido a aguada as coisas se acalmarem.
Foram dois anos aguardando Mick Jagger encerrar o ciclo d divulgação e turnê do álbum solo “She’s the Boss”, fraco e mal elaborado. O cantor ainda se envolveu na atuação em dois longa s-metragens.
Quando Jagger foi convencido a voltar a gravar com os Stones, em 1985, fez os companheiros esperarem muito até ir ao estúdio. O clima, claro, estava péssimo e os trabalhos empacaram.
As composições empacaram e vocalista e guitarrista detestaram, tudo o que cada um apresentava. O principal single acabou sendo uma versão de um clássico da soul music, “Harlem Shuffle”.
Outro single escolhido foi a fraca “One Hit to the Body”, que contou com a guitarra Jimmy Page. Outro convidado especial, o cantor americano Tom Waits, que fez vocais de apoio em várias faixas.
O ritmo lento de trabalho e as desavenças desavenças tornavam o ambiente insuportável e piorou aind mais quando o vocalista se recusou novamente a sair em turnê com a banda, revelando que já tinha iniciado os trabalhos de seu segundo disco solo, “Primitive Coll”, que sairia em 1987.
Irado, Richards disse que era o fim e que não tocaria mais com Jagger e com os Stones. A promoção de Dirty Work” foi ruim e os músicos ficaram Quase três anos sem se ver ou se falar.
Relutante, Richards partiu para um álnum solo, o excelente Talk Is Cheap”, de 1988 e uma turnê americana ocorreu. “Primitive Cool”, de Jagger, contou com Jeff Beck no disco e Joe Satriani na turnê e foi apenas razoável nas paradas, apensar da ótima música “Sail Away”.
Os ouros stones também partiram para trabalhos solo. Quem estendeu a bandeira branca foi Jagger, inconformado com o sucesso do companheiro, maior do que o seu, na carreira solo. O cantor percebeu que precisava mais do grupo do que o guitarrista. Com a mediação do guitarrista Ron Wood, os dois líderes se acertaram para gravar “Steel Wheels” em 1989 e voltar às turnês, mas nunca mais voltaram a ser amigos