Os Rolling Stones se recusam a morrer antes de ficar velhos, por mais que sejam octogenários. Despedaçando a máxima de “My Generation”, de The Who, Mick Jagger, Keith Richard e Ron Wood saboreiam o produtivo período em estúdio para se divertir e fazer bons discos, ao contrário do que se esperava;
“Hackney Diamonds”, de dois ano trás, trazia muitos ingrediente das seis décadas da banda e misturava tudo em um bom mix de blues, rock e soul, com um grande momento épico, “Sweet Sound of Heaven”, um soul blues em dueto com Lady gaga – além da presença estrelada de Paul McCartney em uma canção tocando baixo.
As sessões renderam e muita coisa ficou para “Foreign Tongues”, lançado neste 10 de julho, que soa ainda melhor que o anterior – mais fresco, mais descontraído e mais bem acabado.
Sem poressão para ter de vender horrores e a necessidade de sair em turn}e – n]ao farão shows este ano -, os Stones desfrutam da invejável posição de maior de odos os tempos desde que os Beatles acabaram, em 1970. Brincam de fazer rock and roll e se divertem lapidando canções simples e diretas que 99% dos músicos do mundo dariam os dois braços para conseguir compor.
“In the Stars” é pura gema pop e “Divine Intervention” atinge altos patamares de qualidade fazendo ou soul-rhythm and blues de cair o queixo, pronta para entrar em um disco da banda dos anos 70.
Mick Jagger rejuvenesce ao abordar melodias vocais habilmente captadas pelo produtor Andrew Watt, de 35 anos, que já trabalhou com Paul McCartney, Ozzy Osbourne, Glenn Hughes, Madonna e muitos outros nomes importantes. O cantor mostra qu e esta em forma e que alcança notas de todos os tons com certa facilidade. Os Stones estão de bem e felizes, e o resultado é bastante interessante em “Foreign Tongles”.
Quando se consegue um retorno bom como em “Hackney Diamonds”, o que fazer em seguida para manter o nível? A urgência renovada, a boa vontade do público e — o mais importante — as músicas mais fortes da banda em anos tornaram difícil superar aquele feito.
Enquanto “Hackney Diamonds” tratava de retorno e ressurgimento, seu sucessor oferece algo com mais nuances. Acima de tudo, o 25º álbum de estúdio dos Stones transmite um prazer genuíno em tocar junto — algo notável em uma banda que poderia facilmente ter se cansado tanto da música quanto da convivência entre seus integrantes.
“Foreign Tongues” começa com “Rough And Twisted”, uma explosão de blues de Chicago impulsionada por um riff agressivo e sincopado de Keith Richards.
Dada a tradição da banda de abrir álbuns com declarações de impacto, esta faixa é uma reafirmação esplêndida de suas raízes.
O disco segue com a sonoridade mais pop de “In The Stars” e, em seguida, “Jealous Lover”, uma balada de andamento moderado que remete à sonoridade transatlântica da banda em meados dos anos 70 e revela a arma secreta do álbum: Steve Winwood.
Ele é uma adição carismática que eleva a música do grupo, seja em baladas, faixas acústicas ou rocks mais acelerados. Para quem sentia falta da engenhosidade melódica que Nicky Hopkins trouxe à era de ouro dos Stones, Winwood é uma escolha inspirada.
Há outros convidados: Paul McCartney retorna em “Covered In You”, enquanto Robert Smith (do The Cure) participa da faixa com pegada *disco* “Never Wanna Lose You” e acrescenta uma sonoridade de guitarras brilhantes típica dos anos 90 em “Divine Intervention”. Mas o centro de gravidade continua sendo a própria banda.
Jagger, por sua vez, entrega-se com entusiasmo ao trabalho, seja interpretando um Romeu rejeitado (“Jealous Lover”), um sedutor cheio de marra (“Mr Charm”) ou um observador cínico (“Divine Intervention”).
Uma versão vibrante de “You Know I’m No Good”, de Amy Winehouse, ganha vida graças à gaita expressiva e intensa de Jagger. Ele claramente está se divertindo muito – mas, mesmo aqui, o clima do momento acaba transparecendo. Em outros momentos, ele mergulha na turbulência atual, citando o “magnata maluco Sr. Musk”, criticando autocratas que “se multiplicam como um enxame de ratos imundos” e retratando “juízes em suas togas” com “seus carimbos”.
No entanto, mesmo nos momentos mais sombrios, o instinto de Jagger é vivê-los intensamente, quase desafiadoramente: “Valores distópicos são quentes demais para lidar / Vou partir em meio a um incêndio de glória”.
Se hoje a banda se tornou a imagem corporativa do rock em termos administrativos e negócios, torn-ase, de forma inusitada, também um símbolo de resistência do gênero musical, que está em baixa faz tempo nas paradas de sucesso – se é que isso ainda existe.
O som de “Foreign Tongue” mostra a música do grupo ressurge revigorada mesmo sem avanços ou inovações.
Era o que o trio remanescente queria., “Forign Tongues” é mais um retrato interessante de um rock robusto e necessário diante de uma modernidade avassaladora para quem acompanha a evolução musical.