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Moda de Rock no Blue Note SP (FOTO: REPROPDUÇÃO/FACEBOOK)

O cara mais underground que muita gente conhece é o diabo, com seus hits celestiais e suas violas incendiárias – e divinas, por que não? O verso maravilhoso de “Heavy Metal do Senhor”, clássico de Zeca Baleiro, deu o tom na reestreia em São Paulo da dupla Moda de Rock, após um show de aquecimento em Goiânia.

A dupla de violeiros Zé Hélder e Ricardo Vignini voltou aos palcos na semana passada em concorrida apresentação na excelente casa Blue Note SP, na avenida Paulista, um belo templo dedicado ao jazz, ao blues e à MPB para concorrer com o maravilhoso Bourbon Street.

É o pontapé da série de apresentações do quarto disco da dupla no projeto Moda de Rock, agora dedicado ao rock brasileiro. “Moda de Rock Brasil foi executado quase na integra, em versões muito bacanas de alguns clássicos do rock nacional.

Ironicamente, a apresentação foi aberta por uma música que provavelmente não estará no disco. “Sonífera Ilha”, dos Titãs, virou uma seresta das boas, com arranjos muito bem elaborados para a viola de dez cortas. 

“Ainda não tivemos a liberação da música para o CD, então essa deve ficar de fora”, declarou Vignini para a plateia meio na gozação, meio na indignação. Seria uma perda e tanto, mas há algumas alternativas na manga, como revelou o músico ao Combate Rock antes do show. As negociações ainda continuam, assim como em relação á cantora Pitty, que ainda não deu o sinal verde para ma versão de uma de suas canções.

“Sonífera Ilha” ganhou uma versão reverente, mas que foi logo engolida por “Heavy Metal do Senhor”, com uma interpretação vocal magistral de Zé Hélder, que caprichou na ironia e no sarcasmo, meio que surpreendendo a plateia.

Com uma facilidade irritante para arranjar e tocar, os dois violeiros sedimentaram ma base instrumental que soa extremamente agradável e marcante, a ponto de aprofundar a dramaticidade, ao vivo, de uma canção icônica como “Flores em Você”, do Ira!.

Da mesma forma, força o ouvinte a prestar a atenção na beleza e na força dos arranjos da magistral “Até Quando Esperar”, da Plebe Rude, ou na sutileza e delicadeza de “Mestre Jonas”, de Sá, Rodrix e Guarabyra.

Sem a violência e a urgência da versão original, “Medo”, da banda punk Cólera, fica assustadora por conta de sua atualidade. os arranjos da Moda de Rock a transformaram em uma canção soturna e premonitória na voz grave de Zé Hélder e nos riffs estrondosos executados por Vignini.

Muitos artistas são elogiados por conta da “desconstrução” que fazem, em suas versões, em relação os clássicos. Zé Hélder e Vignini optaram por outro caminho, o da “reconstrução”, a ponto de transformar outros tantos clássicos em “novas” músicas.

Houve também as boas e velhas menções a Índio Cachoeira, Tião Carreiro e Pardinho, Led Zeppelin e Queen, bem como ao AC/DC, mas a noite era mesmo do rock brasileiro, com versões sofisticadas e delicadas, mas igualmente contundentes. A viola caipira encontrou os anos 80, e também os Novos Baianos, Dorsal Atlântica e Mutantes. Tem como ser ruim?

Na retomada de dois e anos e meio sem shows, a Moda de Rock provou que a música é mais importante do que quase tudo e que será um dos grades eventos de toda a a temporada de 2022.

Clique abaixo pra ver uma amostra do que foi a apresentação:

https://web.facebook.com/100000507073821/videos/411551974197019/