Nazareth relança discografia nas plataformas e no Japão

Nazareth (FOTO: DIVULGAÇÃO)


Uma banda que adotou o Brasil como seu lar. E não é o onipresente Deep Purple, que passará pelo Brasil mis uma vez no final deste ano.

São os escoceses do Nazareth, de incontáveis turnês brasileiras e referências múltiplas ao país em sua obra, passando por um disco ao vivo gravado em Curitiba (PR) e São Bernardo do Campo (SP) e foto em capa do álbum “The Newz”, com um exemplar do jornal “Diário Catarinense”.

O ano de 2026 está tomado de eventos que celebram os 55 anos de carreira do grupo, com uma turnê mundial (talvez a última) e a reedição de todo o catálogo do Nazareth em CD nas plataformas digitais. Não bastasse tudo isso, a banda acaba de encerrar mais uma passagem pelo Brasil com apresentações lotadas.

Da formação original, apenas o baixista Pete Agnew – Dan McCafferty (vocais), Manny Charlton 9guitarra) e Darrel Sweet já morreram.

As comemorações trazem uma novidade: o vocalista suíço Gianni Portillo no lugar do inglês Carl Sentance, que saiu de forma não muito bem explicada no final do ano passado. Sentanc substituiu McCafferty em 2-15 e se mostrou um, excelente músico. Portillo é ótimo cantor, mas ainda parece inadequado para assumir tamanha responsabilidade.

A discografia da banda está sendo relançada os poucos, com prioridade aos álbuns editados a parti dos anos 80. Um dos destaques é “Snaz”, álbum ao vivo que conseguiu capturar a essência da banda nos palcos.

No Japão, os títulos chegam com os bônus que estiveram na reedições de 2015 e 2021, em edições caprichadas e com encartes que contam detalhes das gravações de cada álbum..

“No Jive” e “Expect No Mercy” também merecem destaque por representar a tentativa da banda de modernizar o seu hard rock setentista. Para os próximos dois meses estão previsto “Malice in Wondrland”, “Sound Elixir” e “No Mean City, entre outros.

Instituição britânica

Até hoje causa estranheza aos ouvidos de muitos apreciadores de rock mais novos as vozes estridentes e roucas e agudas de Axl Rose (Guns N’ Roses) e Udo Dirkschneider (U.D.O., ex-Accept), mas a origem desse tipo de canto é bem mais antiga e tem a ver com um cantor escocês cultuado dos anos 70.

Dan McCafferty tinha voz potente, mas tão cortante quanto a de uma serra elétrica. A rouquidão, que poderia ser um entrave para o sucesso, foi usada com sabedoria pela sua banda, o Nazareth, que fez bastante barulho no rock pesado setentista.

O Nazareth foi uma descoberta de Roger Glover, baixista do Deep Purple que começava uma carreira paralela de produtor musical. O primeiro LP, de 1971, não chamou muito a atenção, exceto a de Glover, que viu no quarteto rústico e ríspido um potencial pra chamar a atenção do mercado.

A voz de McCafferty, um fã de blues e rhythm an blues norte-americanos, incomodava, mas também atraía por conta de um feeling diferente e da sua potência, emoldurada pela guitarra poderosa de Manny Charlton.

As músicas da banda mostravam um lado obscuro do rock inglês, meio sombrio, mas, ao mesmo tempo, encharcado de sentimento e peso. Tinham força e letras igualmente pesadas, mas tiveram de gravar duas versões para atingir o sucesso.

“This Flight Tonight”, de Joni Mitchell, era um canção folk singela que se transformou em potência hard rock graças à voz de McCafferty. Mas foi com a balada “Love Hurts”, de Boudleaux Bryant, que o sucesso mundial veio em 1974. Eternizada nas vozes de Everly Brothers, era uma canção de acento country que virou um baladão pesado (meio brega, e verdade).

Da lavra da banda, um destaque é “Hair of the Dog”, pesada e maliciosa que também foi sucesso com os Guns N’ Roses, e também a quase progressiva “Telegram”, favoritíssima dos fãs.

Nos anos 80, a banda perdeu fôlego, mas nunca deixou de produzir e sempre mantinha uma média de um álbum de inéditas a cada dois anos, com variados graus de qualidade. Quase sempre acertavam a mão, como no bom “Malice in Wonderland”, mas erravam feio às vezes, como no disco “No Jive”.

No começo dos anos 90 vieram pela primeira vez ao Brasil e estabeleceram uma relação forte com o país, com muitas visitas e a gravação de um CD ao vivo em Curitiba e São Bernardo do Campo (SP) em 2007. Fumante inveterado, dizia odiar a cerveja brasileira, considerada fraca, mas nem assim deixava de entornar algumas e mais algumas.

Foi dele a ideia da foto de capa do álbum “The Newz”, em que o quarteto é retratado d forma simples, mas com McCafferty sentado em um banco alto folheando uma edição do jornal Diário Catarinense, de Florianópolis (SC), cidade amada pelo cantor.

Dan McCafferty se afastou das turnês e deixou o Nazareth em 2013 devido a uma série de problemas de saúde que o acompanharam desde então, principalmente no sistema respiratório. Chegou a gravar um disco solo em 2019, “Last Testament” (parecia prever o seu destino), o terceiro, com uma repercussão morna e sem grande destaque.


Compartilhe...