O blues afronta as tradições da música brasileira. Ninguém sabe quem disse essa bobagem, mas ela perdurou pelos anos 70 no Brasil, especialmente depois que Eric Clapton, em visita ao Brasil, saiu de fininho ao presenciar um duelo de violões entre Jorge Bem e Gilberto Gil, segundo uma lenda urbana.
O guitarrista Celso Blues Boy (1956-2012) tratou de mudar esse panorama, mas era blueseiro demais para o rock e a MPB da épica e roqueiro demais para o blues, por mais que fosse um instrumentista extraordinário. Ele e Luiz Carlini (1952-2026) mostraram que o blues poderia estar na alma quem fazia rock no Brasil, a ponto de influenciarem Alceu Valença a gravar algumas peças do gênero anos depois.
Entretanto, foram quatro jovens destemidos guitarristas que decidiram que o blues brasileiro tinha jeito e público para além do rock e criaram uma cena que se espalhou pelo país nos anos 80.
André Christóvam perambulou pelo rock nacional antes de s tornar a referência do instrumento no Brasil a partir de São Paulo; na mesma época, o angolano Nuno Mindelis trazia as suas influência da América do Norte e as fundia com maestria com rimos brasileiros.
No Rio de Janeiro, Otávio Rocha e o americano Greg Wilson criavam um legítimo blues nacional com a banda Blues Etílicos e mostravam que a linguagem do gênero é universal.
Com a explosão entre os brasileiros nos ano 90, a predileção recaiu sobre os guitarristas, que viraram heróis. A seguir, menções a alguns instrumentistas que se destacaram no gênero por aqui nos últimos 30 anos.
– Marcos Ottaviano – Decano da guitarra paulistana, é chamado de “Professor” pelos amigos e rivais por conta da sofisticação de seus fraseados e elegância nos solos. Tocou na instituição Blues Jeans, um trio que marcou época no Brasil e que virou referência na música brasileira.

– Amleto Barbini – Guitarrista e produtor, é um, estudioso da música e uma das enciclopédias do blues. Embora hoje se dedique ao projeto Sonoro Devaneio, que faz uma MPB mais sofisticada, tem uma discografia respeitável fazendo blue e jazz.
– Edu Gome – Um dos mais versáteis guitarristas brasileirop, integrou por quase 20 anos a ótima Irmandade do Blues. Na careira solo, faz música instrumental baseada no jazz e no rock, mas tudo com cara de blues. São oito álbuns solo e uma infinidade de trabalhos na área de new age, com a série “Concertos para a Cura”.
– Leo Leon Duarte – Jovem, filho do gaitista e cantor Sérgio Duarte, ganhou proeminência ao acompanhar o pai e a canora paulista Bia Marchese, hoje radicada nos Estados Unidos. Ágil e versátil, transita muito bem entre rock, jazz e blues e é um dos instrumentistas mais requisitados da atualidade.
– Rodrigo Mantovani – Por muito tempo foi o principal baixista do blues nacional, preciso e constante nas marcações e ousado nas linhas de baixo que imprimia nas situações mais insólitas, Hoje radicado em Chicago, nos Estados Unidos, integra a Nick Mosds Band e é constantemente indicado a prêmios de melhor baixista dos Estados Unidos no blues.
– Igor Prado – Vencedor do Blues Music Awards de melhor álbum de banda novata< igor prado è um frequentador dos palcos americano e adquiriu grande reputação de especialista em blues e funk< sendo que suas colaborações com o americano Omar Coleman e com o austríaco Raphael Wressnig são muito elogiadas.
– Álvaro Assmar – Enquanto Dodô e Osmar transformavam o Carnaval de
Salvador em uma das maiores festas do laneta, o mlhante Álvaro Assmar mistirava a baianidade com o som mais puro de Muddy Waters e B.B. King. Foi um dos guitarristas mais ortogonais deste país, ma deixou uma discografia pequena, infelizmente. Morreu em 2017,aos 59 anos.
– Eric Assmar – Filho de Álvaro, herdou a musicalidade e a exuberância dos fraseados e o bom gosto nos solos econômicos, mas precisos. É um dos nomes mais importantes do blues rock nacional, com careira impressionante no Brasil e no exterior.
– Arthur Menezes – Guitarrista cearense de enorme prestígio no exterior, ainda é pouco conhecido no Brasil. Tem sólida trajetória nos Estados Unidos, onde tranita muito bem entre o blues e o blues rock. Também coleciona prêmios de blues e de rock no âmbito internacional.
– Celso Salim – Músico brasiliense de enorme experiência internacional, é mais um premiado nos Estados Unidos, onde residiu duas vezes e tem enorme prestígio, sobretudo na Califórnia, onde coleciona prêmios e distinções. Adepto de fraseados limpos e riffs diretos, faz um blues mais voltado para o tradicional e é habilidoso ao extrair sons maravilhosos do dobro, o violão com corpo de aço.
– Big Gilson – Fundador do ótimo Big Allsnbik, que brilhou no anos 90m ganhou destaque na careira solo ao combinar o blues rock de inspiração americana com elementos do rock nacional e da MPB, como no ótimo disco “Aqui Pra Você”. É um dos melhores guitarristas de k do Brasil.
– Mauricio Sahady – Virtuoso e criativo, é um dos mais requisitados músicos de blues do país, capaz de ir do jazz ao blues mais pesado sem a menor dificuldade. Gosta de frase curtas e rápidas, mas apresenta um feeling absurdo quando decide por solos mais elaborados.
– Cristiano Crochemore – Mais um guitarrista do Rio de Janeiro, assim como Big Gilson e Sahady. Militante do blues rock, gosta de timbres pesados e expansivo, onde os solos bem construídos e riffs diretos e certeiros.
– Netto Rockfeller – Paulista que costuma produzir algumas das melhores peças de blues tradicional, é parceiro frequente do gaitista brasileiro Flávio Guimarães, dos Blues Etílicos, e dos gaitista argentinos Xime Monzon e Nico Smolián. Criativo e engenhoso, prefere se expressar com riffs simples e diretos no blues tradicional.
– Victor Biglione – Guitarrista argentino radicado no Brasil, começou no rock, mas lentamente migrou para o blues rock com nítidas influências da música brasileira. Sus fraseados são claros e simples, sem excesso, o que ot orna um dos mais requisitados guitarristas atuando por aqui.
– Rodrigo Nassif – Guitarrista e e violonista gaúcho de longa carreira, dedicou a vida ao cancioneiro instrumental brasileiro, mas tem os dois pés fincados no jaz e no blues, que conferem um molho mais do que especial às canções complexas que compõe. Habilidoso e excímio solista, é um dos mais premiados do Brasil.

– Solon Fishbone – Outro gaúcho bastante requisitado por conta de sua habilidade e feeling na construção de solos e melodiosos e riffs simples e diretos. É um dos patrimôniosda música do Rio Grande do Sul.
– Fernando Noronha – Seu blues rock é tão visceral e intenso que soa quase como hard rock. Tem uma carreira internacional de respeito e ficou bastante conhecido pelos solos incandescente com que incendia as plateias. Seus álbuns são disputados no exterior, embora seja pouco conhecido no eixo Rio-Sãp àulo.
– Rodrigo Campagnolo – Atua na linha de Fernando Noronha, embora seja mais rock do que blues. À frente da banda Electric Blues Explosion, lançou alguns dos trabaçhos mais explosivos do rock gaúcho neste século, além de ter produzido um audiovisual bastante interessante e com ótima audiência no exterior.
– Otávio Rocha – Decano da guitarra no Brasil, fez dupla com Greg Wilson no Blues Etílicos e se tornou respeitado guitarra-base. Nos solos, entretanto, surpreende pelo bom gosto e pela variedade de recursos que emprega em canções memoráveis de sua banda. Também é considerado um dos melhores compositores do blues nacional.
– Duca Belintani – Primeiro brasileiro a tocar no Festival de Blues de Clarksdale, no Mississippi, nos Estados Unidos, é um dedicado pesquisador musical e um ativista do blue em São Paulo a promover encontros de músicos e minifestivais. Como guitarrista, é habilidoso e virtuoso, mas toca em busca do som pérfeito para a banda. Também se dedica ao trabalho de educador musical.
– Filippe Dias – Despontou como virtuoso guitarrista em apresentações na ruas dee lazer de São Paulo. Seu trio faz uma música visceral misturando blues e rock, enquanto o trabalho autoral investe em canções mais voltadas para o folk e a sinergia com alguma |MPB mais sofisticada. Seus solos costumam incendiar as plateias.