Plebe Rude e Capital Inicial, o lado B do rock nacional dos anos 80

Plebe Rude )Foto: divulgação)

Na esteira dos 40 anos de álbuns importantes do rock nacional, os trabalhos de Plebe Rude e Capital inicial, suas estreias em LP, ficam ofuscados pelas obras máximas de banda que fizeram mais sucesso.

Entretanto, suas relevâncias são inquestionáveis, ainda que não possam ser considerados definidores ou revolucionários -pelo menos no caso de “Capital Inicial”. Duas bandas de Brasília com ligações mais efetivas com o movimento punk que obtiveram prestígio com canções mais fortes e agressivas, especialmente no caso da Plebe Rude.

Mais melódico, o Capital tem um viés mais pop e acessível mesmo quando celebra o ritmo e acrescenta riffs menos óbvios.

Lançado pela PolyGram e produzido por Bozo Barretti, que também participou das gravações nos teclados e piano, o álbum nasceu a partir de um repertório que o grupo vinha construindo nos palcos desde sua formação, Oem Brasília, em 1982.

O disco apresentou a personalidade musical que faria do Capital Inicial uma peça essencial do chamado BRock: uma música urente, urbana, calcada em elementos do pós-punk inglês. Dinho o vocalista, filho de diplomata, tinha acesso a viagens e a material importado, o que moldou, de certa forma o som do Capital Inicial.

Mais contundente, a Plebe Rude chegou a assustar com o disco “O Concreto Já Rachou”, agressivo e engajado puxado pelo imenso hit “Até Quando Esperar”. O som é mais baseado em um punk mais puro, com letras contundentes e com conteúdo social evidente de teor político.

Não era o que eles queriam, mas a sinalização de que a Plebe Rude era uma banda atemporal e muito relevante veio com os movimentos de protesto de 2013 no país inteiro, quando o megahit “Até Quando Esperar” virou o hino de uma juventude perdida e insatisfeita.

A canção se tornou trilha de uma garotada que que tinha pouca ideia do que estava acontecendo, mas queria fazer acontecer de qualquer jeito – mesmo que o movimento desembocasse em impeachment avsurdo da presidente Dilma Rousseff (PT) e na ascensão de uma direita fascista. Finmalmente s fazia justiça à banda do rock nacional dos anos 80 mais engajada e política, o que fez muita gente considera-la a mais importante daquele rock oitentista.

Nunca foi essa a pretensão do quarteto, tanto que a Plebe Rude esteve à margem do movimento por conta do som pesado e punk que fazia. “O Concreto Já Rachou”, o primeiro trabalho, de 1987, era agressivo e pesado demais para ser abraçado por gravadoras – como se “Cabeça Dinossauro”, dos Titã, do ano anterior, não fosse ainda mais violento…

O engajamento e o ativismo são marcas da Plebe Rude e fizeram dela a banda necessária em um momento em que os grupos de rock começavam a se adequar ao esquema mercadológico da época e os temas mais espinhosos deixavam de ter protagonismo – uma acomodação artística e ideológica considerada normal após o fim da ditadura militar que durou 21 longos e criminosos anos.

A Plebe Rude não compactuou com essa acomodação. Continuou mordendo e nunca assoprando. Pisou no acelerador sempre que pôde e prezou pela integridade acima dedo, mas sem a necessidade de apontar o dedo para os outros.

Nas celebrações dos 45 anos de existência, o grupo exibe musculatura relevante o suficiente para reivindicar um lugar na prateleira mais alta da música brasileira do período.

Na longa entrevista que concedeu ao programa de web rádio Combate Rock rm 2016, o guitarrista e vocalista Phillipe Seabra, fundador do grupo, refletiu sobre o papel que a banda assumira ao longo do tempo. “Creio que a Plebe Rude, conseguiu, de alguma forma, resumir certos sentimentos que estão introjetados no cotidiano nacional.

São 500 anos de história marcados por repetições de padrões políticos de comportamento. Ocupamos um espaço que tinha de ser ocupado. Somos reflexo do que sempre vivemos neste país.”

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