Precisamos dar uma chance ao novo, mas precisamos dar uma chance ao ‘velho’

Imagem: divulgação/reprodução

Qual foi a última vez que você comentou com alguém, ou vice-versa, sobre aquela música maravilhosa ouvida no rádio ou aleatoriamente na plataforma de streaming? E sobre um potencial hit de banda clássica de rock lançada em álbuns recentes?

Isso não existe mais em nenhum dos dois casos, com evidente prejuízo para artistas mais novos. Mas as raízes desse desinteresse e pelo avanço da chamada “audiência ansiosa e pressa certamente tem grande culpa de ouvinte e supostos apreciadores de música, em especial de rock.

Se aqui neste Combate Rock estamos criticando bastante o olhar fixo para o passado, com a avalanche de caixas retrospectivas de álbuns que completam 20, 30, 40 e 50 anos – e o imenso investimento em turnês comemorativas de bandas nacionais e internacionais de várias décadas -, é preciso fazer uma análise sobre o porquê de não existirem mais “hits” e “sucessos” no rock ainda lembrados ou cantados pelos roqueiros. Os hits sumiram.

Diante da pulverização das atenções e arações musicai nestes tempos, e da dificuldade de a indústria fonográfica se reinventar, é saudável que apoiemos o novo e artistas novos e menores para quem sabe formarmos uma nova indústria e uma nova cena que consiga ficar menos dependentes das nocivas plataformas digitais, que “escravizam” os músicos com remunerações irrisórias.

Precisamos apoiar o novo, mas precisamos apoiar o “velho”, da mesma forma. Em um momento importante em que os octogenários Rolling Stones se preparam para lançar isco novo de inéditas, o terceiro deste século, a pergunta parece inevitável e cabível: estamos preparados para ouvir as novas músicas e lhes dar uma chance?

A resposta é negativa e diz muito sobre os hábitos de ouvir música atualmente, tanto de jovens como de pessoa mais velhas, a maioria ainda aferroada aos grandes clássicos – o tipo de gnte que se contenta com pouco e que adora ouvir todo dia “Satisfaction”, dos Rolling Stones, e “Smoke and the Water”, do Deep Purple, nas fossilizadas e caducas emissoras de rock clássico.

~E o mesmo fenômeno que ainda resiste no jazz, com aqueles que não aceitam ouvir nada do que Miles Davis fez depois de “Kind of Blues”, de 1958 – no blues, sãoos velgos fãs de Muddy Waters e B.B. King parados no tempo e nos vinis lançados até os anos 60.

Será que os Rolling Stones não lançaram nada relevante e que pudesse virar hit depois de “Tattoo You”, de 1981, considerado por muita gente o último grande álbum da banda, com o hit mundial “Start Me Up”? Será que Paul McCartney, em carreira solo ou com os Wings, não fez mais nada de relevante depois do álnum de regravações Give My Regards to Boradstreet”?, e 1984?

Do mesmo ano é o último sucesso cantável e imenso sucesso do Deep Purple, “Perfect Stranger”. Será que nos últimos 41 essa banda inglesa de hard rock não lançou nada digno de nota eu pudesse ser repetido ou ouvido novamente?

O consenso geral diz que não alicerçado em um equívoco histórico e criminoso que prega que, no rock e na música pop, o auge criativo dos artistas ocorre até os 30 anos de idade – mita gente cita milhões de exemplos de artistas variados sobre suas obas mais importantes feitas na juventude – ignorando deliberadamente álbuns ótimos feitos quando artistas estavam com mais de 40 anos ou próximos de tal idade.

É o caso de Bruce Sprimgsteen como “Born in U.S.A.” e “Letters to You”, Bob Dylan com “Desire, Robert Plant com “Saving Grace”, Heaven and Hell/Black Sbbath com “The Devil You Know”, Deep Purple com “Now nd Then”…

A culpa é nossa. Não estamos dando chance para trabalhos mais recentes do rock clássico por falta de tempo, falta de interesse pela própria música e por um apego irracional ao passado.

Por melhor que seja a nova música do Pearl Jam, do U2 e do Foo Fighters, ela morrerá logo; Será eternamente comparada ao sucessos iniciais dessas bandas e será esquecida propositalmente em prol de um culto igualmente irracional ao velho que enterra lentamente o rock.

Música velha é melhor que a música nova? A sensação é de que cresce o número de pessoas no rock que acredita nisso. Parece ser apenas uma mera questão de opinião.

O fato, entretanto, é que altamente improvável que grandes banda e artistas não tenham lançado potenciais hits nos últimos 40 anos. Estamos nos recusando a dar uma chance a músicas ótimas lançadas recentemente e os novos hábitos e audição não podem servir de desculpa vergonhosa para esse tipo de situação.

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