Voltam s ganha força no rock pesado os temas históricos em álbuns absolutamente essenciais. São verdadeiras aulas de história, elevando a cultura e a educação outros níveis, especialmente em trabalhos de bandas como Iron Maiden, Saxon, Grave Digger, Savaton, entre outras. Heavy metal também é informação e base importante para a formação educacional dos ouvintes.
A tendência ganhou impulso nos anos 80 com as músicas extraordinárias do Iron Maiden, onde dois de seus integrantes são apaixonados por história – o vocalista Bruce Dickinson, que fez faculdade de história, e o baixista Steve Harris. Ambos foram influenciados por canções poderosas como “Ohio” e “Cortez The Killer”, de Neil Young.
Entre os tema abordados pelo sexteto britânico estiveram o Egito antigo (“Powerslave”), Grécia antiga (“Alexander The Great”), Idade Média (Montségur”), “I Guerr Mundial (“Paschendele”) e cultura japonesa misturada com a obra “A Arte da Guerra”, do escritor e filósofo chinês Sun Tzu.
No caso dos alemães do Grave Diggger, as aulas de história vão além, com a elaboração ded mais dde uma dezena de trabalhos conceituais que vão do Egito antigo à Idade Média, da história da Escócia à trajetória dos Cavaleiros Templários. Passando pela Santa Ceia de Jesus Cristo.
Ícone do heavy metal tradicional, com um timbre de guitarra característico, o grupo passou investir em álbuns conceituais relatando fatos históricos a partir dos anos 90.
As mais de quatro décadas do Grave Digger foram comemoradas com a reedição de álbuns antigos e DVDs, como “The Clans Are Still Marching”, que retoma a história da Escócia medieval como tema – e serve de apoio ao CD “The Clans Will Rise Agains”, de 2011.
O Grave Digger e seus álbuns conceituais têm como mentor Chris Boltendahl, vocalista de voz rouca e potente. As obras-primas são a trilogia iniciada em 1996 com “Tunes of War”, que narra as lutas pela independência da Escócia nos séculos XIII e XIV.
A banda foi ajudada pelo lançamento à época de “Braveheart” (Coração Valente), filme dirigido e estrelado por Mel Gibson, que interpretou o herói escocês William Wallace, também presente em “Tunes of War”, que se tornou o maior sucesso do grupo.
Com a grande aceitação, tão logo acabou a turnê de divulgação, Boltendahl iniciou a composição do álbum seguinte, “Knights of the Cross”, lançado em 1998, contando a história dos Cavaleiros Templários, que lutaram nas primeiras cruzadas contra o Islã no século XI. O sucesso foi repetido…
A fórmula estava dando certo, então, em 1999, surgiu “Excalibur”, tendo como tema as crônicas do Rei Arthur e a Távola Redonda, com a história iniciando-se ainda no surgimento da espada fincada na pedra – texto fundamental da cultura britânica. Vendeu bem, mas nem tanto.
Após um álbum normal, em 2001, os temas históricos foram retomados em 2003 com “Rheingold”, é um disco conceitual baseado na ópera “O Anel dos Nibelungos” (Der Ring des Nibelungen) composta por Richard Wagner no século XIX, que por sua vez tinha como base texto que faz parte da mitologia nórdica e também da cultura alemã. A partir daqui a qualidade começa a cair um pouco, mas ainda assim fica em um nível bem aceitável.
A história gira em torno de um anel mágico cuja posse concede o poder para controlar o mundo. O anel é feito do ouro roubado do rio Reno e foi forjado pelo anão Alberich, o nibelungo do título.
Vários personagens lutam pela posse do anel, dentre eles Wotan (Odin), chefe dos deuses, e o herói Siegfried..
O sucesso se repetiu, o que levou a banda a compor “The Last Supper”, baseado nos relatos em torno da última ceia de Jesus Cristo com os apóstolos.
Em “Liberty or Death”, de 2007, a banda foge um pouco do conceito fechado. Todas as músicas giram em torno de fatos históricos envolvendo lutas pela liberdade em vários locais e momentos da história. “Ballads of a Hangman”, de 2009, segue a linha do anterior e o tema é a morte por enforcamento, mas sem se limitar a um só fato histórico.
Em “The Clans Will Rise Again”, de 2010, a Escócia volta a ser o tema, com a descrição bastante elaborada de como os clãs escoceses enfrentaram as invasões vikings na alta Idade Média e os ingleses, a partir do século XII. É o melhor álbum do grupo desde “Rheingold”, o mais pesado e o mais dinâmico.
Em 2012, uma mudança radical de foco, com o álbum “Clash of the Gods”. O tema agora é a Grécia antiga, com seus mitos e lendas, um tema que sempre fascinou o vocalista Chris Boltendahl, mas que nunca o tocou da forma “correta” para se tornar tema de um álbum do grupo, segundo ele revelou em uma entrevista ao fã-clube brasileiro.
O mais recente trabalho do Grave Digger é “Bone Collecor”, de 2024. Também conceitual, tem o tema baseado em várias obras literárias que tratam de histórias de terror e de serial killers.
Ao logo de sua carreira, cantou sobre cavaleiros templários, a vida d Jesus Cristo, lendas germânicas, a Grécia antiga e vários aspectos da vida medieval.