Uma das maiores provocações da história do rock ou a maior autossabotagem de todos os temos? Não que fizesse alguma diferença, mas essa era uma dúvida que perseguiu o vantor e guitarrista inglês Joe Strummer até sua morte, em 2002.
“Sandinista”, o quarto álbum da banda punk The Clash, a melhor e maior do gênero, deve finalmente ganhar, om atraso, uma versão comemorativa ampliada de 45 anos de seu lançamento, ocorrido originalmente em agosto e 1080.
Deve coincide com os festejos de 50 anos de criação do próprio The Clh e marcar também, no início do ano que vem os 25 anso de morte do próprio Strummer.
The Clash foi o símbolo da contestação e da agressividade punk dos anos 70, indo além da violência pueril dos Sex Pistols e do delicioso pastiche pop dos Ramones. Altamente politizada e engajada, a banda era a referência do movimento britânico e um incômodo institucional para as autoridades, embora nunca tenham sido perseguidos de forma “oficial”.
Depois do avassalador sucesso de “London Calling”, magistral LP duplo do ano anterior, o quarteto não economizou na ambição ara o quarto álbum: seria um LKP triplo com muita experimentação de estúdio, envolvendo a incipiente música eletrônica, reggae, ska, um pouco de blues e punk provocador.
A gravadora era o maio entrave, recusado-se a lançar um álbum triplo alegando inviabilidade comercial. The Clash insistiu e btu mão seus direitos econômicos par baratear o custo da empreitada para os ouvintes e consumidores. O preço final ficou mais baixo, mas não tanto a ponto de estimular as vendas, até porque caráter experimental do terceiro disco afugentou parte dos fãs.9Esse era o primeiro aspecto 9da autossabotagem.
O segundo e mais preocupante era o nome do trabalho. “Sandinista era uma referência direita ao grupo rebelde que lutava contra a ditadura de extrema direita que massacrava o povo da Nicarágua, país d pobre da América Central.
O ditador era Anastasio Somoza, ditador corrupto poiado pelos Estados Unidos.
Os sandinistas integravam a organização de esquerda Frente Sandiista de Libertação Nacional, nome em homenagem a augusto Sandino, líder d revolução que combateu a ocupação americana ocorrida entre 1027 e 1933. De orientação esquerdista, o grupo sandiistaa derrubou Somoza em 1979 com apoio de Cuba e da então União Soviética.
O evidente caráter político desagradou a todos, provocando uma espécie de boicote” e gravadora e comerciantes, indignados com produto comunista” criado pelo Clash. As vendas foram muito baixas, apesar da primeira resenha serem positivas.
Elogiado pela coragem e ela audácia, o quarteto teve dificuldades para divulgar o trabalho e amargou severos prejuízos, amenizados pelos trabalhos seguintes, menos engajados e mais pop, como o álbum “Combat Rock”, de 1982, recheado de hits.
“Sandinista” gerou ao menos um grande sucesso, o reggae pop “The Magnificent Seven”, que abre o trabalho, com sua letra sarcástica e satírica, com interpretação memorável de Strummer e um baixo pulsante e safado de Paul Simonon que seria sampleado por muita gente nas décadas seguintes.
Tem também a deliciosa “Police on My Back”, com toda a carga dramática transformada em um hit positivo, acelerado e com certo humor. “Somebody Got Murdered é outro bom momento, mais pesado e sério
Quase cinco década depois, “Sandinista” tem os méritos e privilégio de ter aberto as portas para a experimentação eletrônica que dominaria o dub, o reggae, o hip hop e rap dos anos 80. Sua importância ainda está por ser descoberta.