Entre as atrações do nostálgico C¨no Rock, festival que ocdorreu neste mês de agosto celebrando o rock nacional dos anos 80, Paulo Ricardo era o que mais tinha a comemorar.
O ex-baixista e vocalista do RPM saboreia uma nova fase de procura por seus trabalhos e o da banda e fez uma apresentação bastante competente com sua banda solo tocando na íntegra o álbum “Rádio Pirata ao Vivo”, de 1986.
Paulo Ricardo é um músico veterano com vasta bagagem musical e que formatou o som pop sofisticado do RPM ao lado do tecladista Luiz Schiavon (1958-2023).
Os dois w]ao responsáveis direitos pelos maiores sucessos de vendas do rock nacional, justamente o os dois primeiros disco do RPM, que não durou muito depois disso.0 O fenômeno foi tão espantoso que a própria banda não tinha como lidar com aquilo e enrou em parafuso. Como explicar a veloz ascensão e queda?
Antigo profissional de imprensa, com passagens pela Inglaterra e Europa nos anos80, Paulo Ricardo era um apaixonado pela cna inglesa e formatou a banda RPM baseado no som pop e synth pop de Duran Duran e Depeche Mode. Era uma alternativa ao rock que brotava nas danceterias brasileiras, que ia de Ultraje a Rigor a Legião Urbana.
O apelo pop foi logo percebido e o RPM já era muito requisitado quando entrou em estúdio para gravar o primeiro disco, “Revoluções Por Minuto”. Era 1985 e naquele mesmo ano o Trabalho chegou às lojas puxado pelos gits “olhar 43” e “Loiras Geladas”.
Imediatamente o RPM tomou conta das paradas de sucesso e o espaço nas emissoras de rádio e vendeu horrores. As vendas foram tão impressionantes que prejudicaram a fabricação d vinis destinados a outros artistas.
Farejando a possibilidade de vendas ainda maiores, empresários e gravadora exigiram um novo álbum e mais hits para 1986, mas a banda não tinha material de sobra. Não seria possível compor, gravar e lançar um disco novo a tempo. A solução, sob risco d canibalização, era um disco ao vivo para capitalizar o sucesso. A banda não gostou, mas nada pôde fazer.
“Rádio Pirata ao Vivo” tinha quase o mesmo repertório do primeiro disco com o acréscimo de algumas canções frequentes nos shows, como “London London”, de Caetano Veloso, cantada em inglês.
Foi um sucesso tremendo, fazendo do trabalho o mais vendido do rock nacional e um dos mais vendidos da história da música brasileira – mais de um milhão de LPs vendidos. Superastros, encararam turnês nacionais intermináveis.9
Exaustos e esgotados, osquatro músicos – Paulo Ricardo, Schiavon, Fernando Delçu ui (guitarra) e PA Pagni (bateria) caíram no infrno das tentações eu a fama o sucesso proporciona. Drogas e bebidas a vontade, não mantiveram o pique e não seguraram a pressão.
Os trabalhos posteriores n]ao atingiram nem de longe os resultados dos dois primeiros LP, como no caso do irregular “Quatro Coiotes”: Daí em diante o roteiro é bem conhecido: brigas, divergências, separação, voltas com metade da formação, brigas judiciais…
Com muita boa vontade, o RPM não chegou aos cinco anos de careira relevante, mas ainda assim e o maior fenômeno de vendas do rock nacional. Scjiavon e Pagni estão mortos e Deluqui mantém ol litígio com Paulo Ricardo.