Motoristas bêbados matando pedestres, crescimento exponencial de feminicídios, de casos de violência doméstica contra as mulheres e desrespeito total às regras de convivência humana e social. E o que dizer da propliferação das perigosas bets, que aprofundam o endividamento das famílias? Pop que o mundo piorou tanto?
É consenso que, no Brasil, a situação desceu a ladeira com velocidade a partir do momento em que a extrema-direita voltou a ter estridência e alguma relevância – notadamente a partir do impeachment/golpe de parlamentar que tirou a presidente Dilma Rousseff (PT) do poder. No governo do nefasto presidente Jair Bolsonaro (PL) o retrocesso foi total.
A cada dia em São Paulo registramos um caso de motorista bêbado que dirige, bate e mata pedestre ou passageiro de outro carro. A cada dia uma pessoa rica conduz um carro caríssimo e causa acidentes com mortes. É muita crfença na impunidade.
E ainda tem o racismo, tão constante e presente no Brasil e na América do Sul, a ponto de o Black Pantera, trio mineiro negro de heavy metal, praticamente dedicar inteiramente ao tema o seu próximo disco, “Continental”. Como conviver com tanto ressentimento social em pleno século XXI?
E o gravíssimo caso das bets, ou aplicativos de apostas eletrônicas, que aprofunda uma doença social-mental? Como amenizar as consequências do extremo endividamento familiar causado pelo vício em apostas eletrônicas? Como permitimos tamanho retrocesso?
A questão da violência contra as mulheres assumiu tamanha proporção que está influenciando trabalhos artísticos em todas as áreas. O tema está presente no citado novo disco do Black Pantera, em letras contundentes e diretas. “O que é preciso fazer para entender que não é não?”, brada o vocalista e guitarrista Charles da Gama.
Foram 1.571 casos de feminicídios no Brasil em 2025, enquanto o número de estupros explodiu, achegando dez por hora no Brasil. País medieval é o mínimo para qualificar o local em que vivemos. Esses fato s inspiraram o guitarrista e vocalista Rodrigo Cerveira a compor a música “Animals”, um tema pesado e forte que cita explicitamente a violência contra a mulher e expõe os números nojentos d violência contra a mulher.
Pelo menos temos uma movimentação de protesto – neste caso, silêncio não pode ser uma opção. AS mulheres qu gritam estão ativas e mostrando os dentes contra as covardes agressões dos covardes de sempre.
Eskröta, The Mönic, The Damnnation e outras formações femininas estão na linha de frente para denunciar e apontar os agressões e criminosos de toda a sorte que insistem em submissão, intimidação e possessão.
Não é somente uma crise moral ou uma questão e de educação. É uma questão de caráter, em que parcela expressiva da população brasileira despreza a Lei Maria da Penha e faz questão de ignorar a questão racial, em que o preconceito se manifesta em situações do cotidiano.
É uma questão de caráter deformado porque o desprezo às regras mais elementares de convivência civilizatória é deliberado. E a arte é fundamental para denunciar esse estado péssimo de nossas vidas. Em que a crise moral se aprofunda a cada dia, a cada morte violenta de mulher e a cada manifestação racista contra os negros.