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No país onde defender a democracia é uma ofensa para parte dos eleitores, bradar “fogo nos racistas” é crime para aqueles que se orgulham de ser fascistas – e ignorantes.

É impossível medir o tamanho do retrocesso civilizatório dos brasileiros nos tempos nefastos do bolsonarismo. 

Se por um lado tivemos a oportunidade de saber o verdadeiro caráter deformado de vizinhos, parentes e alguns amigos, por outro lado é desolador perceber como o ódio e a violência estão entranhados em nosso cotidiano. Aas fraturas são gigantescas e não há como reverter. Não há volta. Não teremos paz.

O racismo explode em todas as vertentes, assim como os casos de cárcere privado, feminicídio, morte de inocentes e supostos bandidos desarmados e abusos de todos os tipos, sempre envolvendo seres execráveis dispostos a defender o fascismo, a violência contra as minorias e a disseminação da depredação dos direitos humanos.

Houve até quem defendesse a prisão e a deportação de Portugal de uma mãe que defendeu os filhos de um caso abjeto de racismo- a atriz Giovanna Ewbank agrediu uma mulher nojenta que chamou seus filhos de “pretos imundos”.

Embarcamos em uma era de desumanidade tão profunda que não há luz que consiga iluminar alguma possibilidade de paz e sossego. E quem disse que queremos paz? Como pedir para que sejamos tolerantes quando a intolerância dá o tom em um mundo tão desorganizado e depredado.

Os Inocentes voltaram à ativa com “Queima!”, uma canção forte que não hesita em gritar “Queima nova ordem!”, incomodando isentões e s fascistas tão acostumados a despejar ódio e violência contra os adversários. Parece que o bumerangue voltou bem na testa, não é?

Qual é o preço da cidadania? E qual é o preço da luta pela cidadania? As eleições de 2020 deram uma resposta, ainda que parcial: o preço é alto, mas os resultados são gratificantes, com um recado forte aos disseminadores de ódio, aos preconceituosos e racistas. 

Essa gente nojenta está desesperada, mas não perde a chance de tentar inverter a narrativa ao questionar músicas de bandas como Punho de Mahin e Black Pantera, que fazem som pesado e tem todos os eus integrantes negros.

“Fogo nos Racistas”, dos mineiros do Black Pantera, está sendo acusada pelo esgoto bolsonarista de incentivar a violência – logo eles, lixos humanos por excelência, estimuladores do ódio e disseminadores da proliferação de armas em controle.

O trio de músicos negros colocou as coisas nos seus devidos lugares e deu nome que deve ser dado aos bandidos ideológicos que adoram vomitar pela extinção de adversários políticos. 

“Fogo nos Racistas” é uma canção cada vez mais pertinentes na medida em que mais e mais casos de racismo são noticiados todos os dias envolvendo brasileiros negros no Brasil e na Europa.

É forma das mais abjetas de degradar o ser humano. É o último refúgio dos canalhas imensos, que até mesmo o patriotismo perderam como argumento para espalhar suas fezes ideológicas. É o que sobrou: a sordidez e a total falta de escrúpulos.

Ao fingir defender a “liberdade de expressão” que tanto atacam e pisoteiam, os lixos bolsonaristas e toda a sorte de “simpatizantes revela o medo que essa gente tem da “igualdade, fraternidade e da verdadeira liberdade”.

Essa gente tem pavor de dividir o assento do avião com o pobre e o preto. Tem medo de dividir o quase nada que sobrou para a maioria da população brasileira vítima da falta de governo e de políticas econômicas deliberadamente prejudiciais aos interesses dos mais desfavorecido.

Nunca o discurso em prol da redução da desigualdade social fez tanto sentido e se faz tão necessário. Deixou de ser retórica ideológica para se tornar uma necessidade de sobrevivência da civilização.

Não é coincidência que os casos de racismo estão explodindo no dia a dia ao mesmo tempo em que os fascistas/bolsonaristas aumentam o volume de seus dejetos vociferados contra a sociedade. 

O racismo como arma política é um dos meios que a esgotosfera brasileira usa para validar a destruição institucional posta em prática desde que o nocivo e nefasto Jair Bolsonaro assumiu a Presidência – e que nunca a exerceu, já que jamais governou.

O racismo e todo o tipo de preconceito são maneiras de colocar os oponentes sempre na defensiva e de testar os limites da democracia. 

Com as seguidas tentativas de esgarçar os limites institucionais e constitucionais, os racistas/fascistas erodem cada vez mais a democracia e os direitos humanos. 

São vários os comentaristas políticos, de todos os vieses políticos, que alertam para a preparação para o golpe diante de um cenário incerto nas eleições deste ano – e bastante plausível de derrota bolsonarista.

Teremos golpe? teremos eleição? Teremos militares contando votos paralelamente? “As eleições podem ser suspensas se acontecer algo de anormal”, diz o nefasto presidente, que considera, certamente, a sua eventual/provável derrota um “fato anormal”.

E então o racismo entra no jogo para embaralhar as coisas, desviar focos e colocar os progressistas, os defensores da democracia e da civilização na defensiva. 

Quando “influenciadores digitais” imbecis questionam o porquê da criminalização do nazismo em rede nacional e na internet – e nada acontece – é é sinal de que estamos perdendo de goleada. 

É sinal de que a desumanidade venceu e o autoritarismo criminoso e homicida/genocida conta com a indiferença de uma população tragada pela crise econômica e asfixiada por uma inflação galopante e uma crise moral sem precedentes. 

E a crise moral é tão profunda que abre espaço para gente asquerosa bradar novamente pela censura ao protestar contra a canção “Fogo nos Racistas”, um grito de socorro contra a violência. 

Criminalizar a vitima que reclama da violência que sofre é uma tática tão velha quanto eficiente – as vítimas de estupro que o digam, Só que, desta vez, a iniciativa está sendo neutralizada. basta ver a reação da população contra a loira do metrô paulistano detida por racismo – uma estação de metrô foi bloqueada até que seguranças e policiais militares a detivessem, Foi histórico e memorável.

“Fogo nos Racistas”, do Black Pantera, se tornou um lema e um hino – é uma das melhores canções do ano de 2022, que foi direto na veia do pescoço de tão certeira:

 “Eu sei, nossa simples existência já é uma afronta
Os demônios em você não aguentam ver
Outro preto que desponta
No estilo Django Livre
Ou no estilo Luis Gama
Representando os ancestrais
Afro-samurais
Os filhos de Wakanda
Um grito vem da alma
Fogo nos racistas!
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
(Expõe pra queimar)
Fogo nos racistas!
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
(Deixa queimar)
Fogo nos racistas!
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
(Expõe pra queimar)
Fogo nos racistas!
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
(Deixa queimar)
Não precisamos tomar nada de ninguém
Só nos deixe ir reconquistar o nosso espaço
De Janeiro à Janeiro
Todo dia o ano inteiro
De Março à Março
A ascensão do império preto
O império contra ataca
O lado negro da força aqui
Só fode com reaça
E eu digo
Na sua cara
Fogo nos racistas!
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
(Expõe pra queimar)
Fogo nos racistas!
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
(Deixa queimar)
Fogo nos racistas!
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
(Expõe pra queimar)
Fogo nos racistas!
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
(Deixa queimar)
Fogo nos racistas!
Fogo nos racistas!
Fogo nos racistas!
(Fogo) fogo nos racistas!
(Fogo) fogo nos racistas!
(Fogo) fogo nos racistas!
(Fogo) fogo nos racistas!
(Fogo) fogo nos racistas!
(Fogo) fogo nos racistas!
(Fogo) fogo nos racistas!
Fogo nos racistas!
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
(Expõe pra queimar)
Fogo nos racistas!
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
(Deixa queimar)
Fogo nos racistas!
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
Eu disse, ‘fogo nos racistas!’
Deixa queimar!”