Depois de quase 60 anos de atividades, os ingleses do Uriah Heep preparam uma despedida em alto estilo numa turnê mundial que passará pelo Brasil ainda neste ano. O guitarrista Mick Box, o membro mais antigo e líder, fez questão de colocar o país no giro.
Na celebração, a banda não cansa de de relançar os primeiros álbuns, referência de rock pesado setentista que angariou fãs no mundo inteiro.
A lista incli “Very ‘Eavy Very ‘Umble”, “Salisbury”, “Demons and Wizards”, “Look at Yourself” e “Wonderworld”, além de dois álbuns ao vivo maravilhoso. Era o auge da era do vocalista David Byron (1948-1985).
Agora é a vez de alguns álbuns obscuros serem relançados com bônus neste mês de julho. São escolhas estranhas, algo que poderia interessar apenas a colecionadores e fanáticos. É o caso dos fracos “Fallen Angel” e “Innocent Victim”, ma não do incompreendido e vigoroso “High and Mighty”.
Em 1976, o Uriah Heep vivia uma situação instável. Embora tivessem alcançado grande sucesso com “Return to Fantasy”, o grupo sofria com conflitos de personalidade (o vocalista David Byron saiu após esse álbum) e divergências sobre a direção musical.
Essa tensão é visível em “High and Mighty”, um álbum que mostra lampejos do antigo vigor do grupo, mas que acaba prejudicado por uma combinação de experimentação sem foco e composições irregulares.
O disco começa de forma promissora com um primeiro lado sólido: “One Way or Another” é uma faixa de hard rock intensa e dramática, na qual tecladista Ken Hensley alterna versos com o baixista John Wetton; já “Misty Eyes” é uma canção cativante e de ritmo acelerado que troca a sonoridade pesada característica da banda por um som construído sobre riffs de violão muito bem sacados.
O álbum também traz uma das melhores canções do grupo, “Midnight” — uma reflexão sobre o preço do sucesso que equilibra com maestria os solos de guitarra arrebatadores de Mick Box e as texturas ricas de teclado criadas por Ken Hensley. A faixa também se destaca pela interpretação vocal dramática e comovente de David Byron.
No entanto, “High and Mighty” não consegue manter esse padrão de qualidade no segundo lado. Em várias músicas, a banda flerta com elementos pop de uma forma que não combina com seu estilo hard rock.
“Can’t Stop Singing” começa de maneira curiosa, com cantos tribais caricatos ao estilo Monty Python, antes de descambar para uma canção pop boba centrada em teclados; já a energia hard rock de “Woman of the World” é arruinada por uma batida excessivamente saltitante e um piano no estilo “music hall” inglês que lhe foram impostos.
O segundo lado também apresenta uma faixa de rock surpreendentemente fraca e pouco original, “Make a Little Love” — uma música descartável que soa como uma tentativa sem inspiração de copiar o som do Bad Company.
Em suma, “High and Mighty” é irregular demais para conquistar novos fãs para o Uriah Heep, mas contém faixas de rock sólidas o suficiente para valer a audição por parte dos admiradores mais fiéis do grupo.
Lista de músicas:
01. One Way or Another (4:40)
02. Weep in Silence (5:07)
03. Misty Eyes (4:16)
04. Midnight (5:41)
05. Can’t Keep a Good Band Down (3:39)
06. Woman of the World (3:09)
07. Footprints in the Snow (3:57)
08. Can’t Stop Singing (3:21)
09. Make a Little Love (3:27)
10. Confession (2:21)
BONUS TRACKS:
11. Name of the Game (out-take) (5:14)
12. Sundown (alternative version) (3:21)
13. Weep in Silence (extended version) (7:47)
14. Name of the Game (Ken Hensley demo version) (3:21)
15. Woman of the World (Ken Hensley demo version) (3:21)
16. I Close My Eyes (Ken Hensley demo version) (4:19)
17. Footprints in the Snow (Ken Hensley demo version) (2:58)
18. Can’t K