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No ano que marca os 80 anos da morte do guitarrista Brian Jones, o criador dos Rolling Stones, vamos relembrar um álbum curioso e interessante lançado há alguns anos em Campinas (SP). A banda Dusty Old Fingers compôs uma “ópera-rock” baseada no final da vida do músico inglês, morto em 3 de julho de 1969. 

O disco é “The Man Who Died Everyday” e está nas plataformas de streaming. O título faz referência a uma declaração de Pete Townshend, guitarrista do Who, no dia seguinte à morte de Jones: “Ele era um cara que morria todos os dias”. 

Sem exageros, o grupo brasileiro tentou recriar, com sucesso, uma sonoridade stoneana bem setentista, em um trabalho bastante honesto e de bom gosto na parte musical – os arranjos são ótimos, especialmente os de teclados de “Blonde Hair, Baby Face”, que tem um clipe simples no YouTube. 

Um instrumental de boa qualidade para o que chama mais a atenção, as letras interessantes das músicas conseguem bons resultados tentando retratar o problemático primeiro guitarrista dos Rolling Stones.

Som datado? De certa forma sim, mas não de maneira negativa. As músicas passeiam do rock’n’roll básico com timbres que remetem aos Faces ao southern rock com levadas de Allman Brothers, alternando para o peso que pode ser facilmente encontrado no Humble Pie (de Steve Marriott e Peter Frampton). Aliás, a voz do cantor e guitarrista Fabiano Negri guarda certas similaridades com o timbre de Marriott.

 Duas músicas são poderosas: “My Best Enemy” e “Going to Hell”, esta uma ode à loucura rock’n’roll, mostrando o tenso, caótico e violento relacionamento entre Jones e a modelo alemã Anita Pallenberg – que se tornaria a senhora Keith Richards, com que teve dois filhos -, no final de 1967, fato que piorou ainda mais a desintegração emocional do guitarrista louro. Outros destaques são “The World at My Feet”, “Dirty Hands” e o encerramento belo e melancólico com a faixa-título.

O grupo Dusty Old Fingers foi criado em 2012 inicialmente como um projeto de Fabiano Negri e do guitarrista Tony Monteiro. Negri ficou conhecido nos anos 90 por tocar com o Rei Lagarto e engatar uma bem-sucedida carreira solo, com álbuns ótimos com leras em inglês. Monteiro é jornalista veterano da área musical e atua na revista Roadie Crew. 

A ideia da dupla era fazer um disco que resgatasse gêneros essenciais ao rock, como blues, classic rock e blues rock – tanto que o nome Dusty Old Fingers (“velhos dedos empoeirados”) é uma referência à opinião da dupla de que o rock de antigamente era muito melhor do que o de hoje. Faz bastante sentido.